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Walter Menezes

Sem a pretensão de achar que houve influência, lendo o que disse o ex-prefeito de Belo Horizonte na sua passagem aqui no município em campanha para o governo do estado, lembro que ele repetiu 90% do papo que tivemos em meados de 2020, em plena convivência com a pandemia do coronavírus, no gabinete do Iran Barbosa.

Fui indagado, à época, porque Ribeirão das Neves insiste em ser conotado pelos próprios políticos como cidade dos presídios e cidade dormitório, e o porque da cidade não emplacar no quesito industrialização como seus circunvizinhos. Eu que na ocasião estava lotado no setor de desenvolvimento econômico, não tive dúvidas e nem dificuldades nas respostas.

Para a primeira pergunta, respondi apenas que de política não entendo nada, portanto não passava na minha cabeça o que responder.

Já em relação à segunda, eu disse não ter nenhuma dúvida em dizer que o principal fator passa pela vontade política.

Por mais engajados que sejam os colaboradores em realizar algo, se não for da vontade política, não vai acontecer.

Como é sabido, Neves está situado em posição geográfica de raro privilégio, tem áreas públicas de propriedade do Estado, com aproximadamente 5 milhões de metros quadrados sem nenhuma destinação, sendo que quase 1 quilômetro de extensão destas áreas estão ladeando a BR-040, e isto não é explorado.

Temos fartura de mão de obra, que é exportada para outras regiões, onde os profissionais vivem ansiosos e na esperança de poderem ofertar suas habilidades dentro de sua própria localidade.

Mais do que isto, não faltam empreendedores com intenção de se estabelecerem no município.

Em relação a cidade dos presídios, eu que milito com empresas e empresários desde 2008, posso assegurar que nenhuma empresa se estabelece ou deixa de se estabelecer no município, devido a existência de complexos penitenciários. Jamais algum citou diante de mim, alguma objeção.

Para a vinda de empresas, presídios não contribuem nem atrapalham.

O que falta então?

Um ambiente favorável.

Apesar de todos estes fatores positivos relatados acima, quantas indústrias se instalaram no município nos últimos dez anos?

O fomento econômico do município é gerido em quase sua totalidade pelo comércio e prestação de serviços, incluindo aí os serviços prestados nas cadeias.

Sei que temos bandeiras comerciais importantes no município, mas verifica-se que elas estão aqui como estão em todos os municípios onde há consumidores.

E para a vinda destas bandeiras, não necessita do esforço de gestão, eles vêm pela vontade própria, basta que haja a matéria prima que mais importa, que são os consumidores.

Já as indústrias, se não houver uma participação efetiva das autoridades municipais pertinentes, se não houver um ambiente favorável, se não houver uma estrutura minimamente planejada para a expansão industrial, como uma bem elaborada Lei de Incentivo Fiscal, área com zoneamento compatível, terraplenagem, energia, esgoto, agua, internet e principalmente acesso para o recebimento da matéria prima e o escoamento da produção, elas passarão em nossa porta, e vão se estabelecer em outra localidade que tenha esta estrutura pronta, pois o tempo para eles é fator preponderante.

As poucas que ficam, podemos ver e são até noticiadas, mas as que passam e vão embora por não encontrarem este “ambiente favorável” ninguém fica sabendo. E olha que são muitas!

Há, porém, de se reconhecer que o município recebeu uma transformação importante, uma melhora considerável dos acessos, uma sinalização de transito de boa visibilidade, um comprometimento incondicional com a limpeza, reformas importantes nas estruturas de atendimentos ao público entre outras. Diminuiu a poluição visual. Tudo isto fez com que o sentimento de pertencimento aflorasse nos munícipes, que se sentem hoje, felizes por morarem aqui.

Ocorre que tudo isto, está longe de ser desenvolvimento. É apenas um processo necessário e um caminho a ser percorrido.

Para se alcançar o desenvolvimento, terá obrigatoriamente que investir nas pessoas. Nenhum local se desenvolve, se não houver antes o desenvolvimento das pessoas.

Será necessário um planejamento, que inclua a geração de trabalho, emprego e renda, a busca por implantação de escolas de ensino técnico profissionalizante como SENAI, SENAC, e que a implantação destes sejam em local onde um maior número possível de pessoas do município possam ter acesso. Criar um parque industrial estruturado, como forma de atrair grandes indústrias, e gerar novos postos de trabalho.

Como relatado acima, áreas não faltam, até porque a proprietária das áreas mencionadas, é exatamente a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais – CODEMGE.

Basta vontade política em se criar uma parceria Estado/Município para isto acontecer.

Ribeirão das Neves está melhorada, modificada, transformada e mais bonita.

Mas para ser chamada de desenvolvida, há muito que caminhar.

E tomara que o relato da resposta dada, sirva para algum candidato colocar como prioridade em seu projeto e plano de governo.

E tomara também que os eleitores votem em propostas que sejam pertinentes e realizáveis, eliminando propostas utópicas. Evitar votar na fama, e focar em quem realmente possa nos representar.

É difícil, mas é preciso!

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Mais uma vez utilizando este espaço para falar de um tema que entendo ser o de maior prioridade para o nosso município, que é a geração de trabalho, emprego e renda. 

Como dito em outras oportunidades, para que isto seja possível, será preciso focar incansavelmente no desenvolvimento econômico e das pessoas. "Para desenvolver um local é preciso, antes, desenvolver as pessoas".

Nota-se em quase todas as regiões do Brasil que as prefeituras, o setor privado e a sociedade civil estão à procura de melhores formas de alcançar o desenvolvimento econômico local, pedra fundamental para o desenvolvimento sustentável.

Isso se deve ao fato que os governos locais lidam com uma maior descentralização das decisões públicas, ao mesmo tempo em que transformações em grande escala acontecem na economia global, resultantes de uma liberalização do comércio, privatizações e melhores telecomunicações. O significado dessas mudanças é que os cidadãos e os governos locais agora lidam com desafios formidáveis, mais oportunidades, e maiores responsabilidades para trabalharem juntos com o objetivo de abordar a saúde econômica dos municípios e o sustento de seus cidadãos locais, onde muitos dos quais podem estar desempregados ou em subempregos e vivendo na pobreza.

O propósito da Sala do Empreendedor, em relação ao Desenvolvimento Econômico Local (DEL) é responder a essa demanda e ajudar o executivo e seus parceiros nos setores privado, público e comunitário a lidar com essas questões. Alcançar um crescimento econômico e manter-se competitivo já é, por si só, um desafio sério. Garantir que os benefícios do crescimento se propaguem amplamente a fim de que o desenvolvimento seja inclusivo e que produza impacto na qualidade de vida de todos os cidadãos representa um desafio ainda maior. A questão, portanto, é não só como tornar o crescimento econômico uma realidade em nosso local e comunidades, mas como garantir que o crescimento beneficie os marginalizados e os pobres. Isso requer que o DEL seja estabelecido com firmeza em uma estrutura mais ampla de desenvolvimento local sustentável. Por sua vez, isso demanda uma abordagem estratégica do DEL, que implica uma consideração cuidadosa das diversas relações custo beneficio, além de implicar escolhas difíceis. Também requer o aproveitamento e a mobilização de capitais locais humano, social e financeiro em direção a visão, objetivos e metas comuns que a comunidade aspira alcançar. Isso é possível somente quando os vários interessados e atores unem forças para fazer uma diferença na qualidade de vida de suas cidades e assentamentos. Esta abordagem sobre Desenvolvimento Econômico Local deverá ser construída em torno desses princípios. Enquanto há muitas ferramentas e melhores práticas no campo do desenvolvimento econômico local, estabelecê-los em uma estrutura institucional local de governo e de agenda de desenvolvimento permanece como desafio principal.

Será preciso avançar consideravelmente para diminuir esse descompasso e aumentar o papel das autoridades locais, oficiais eleitos e seus agentes, guiar e estimular o desenvolvimento econômico local para benefício de seus cidadãos.

O processo de desenvolvimento repousa sobre a filosofia básica acima exposta de compartilhamento de conhecimento. Teremos de agrupar uma ampla variedade de profissionais do desenvolvimento econômico local que possam oferecer suas ideias e experiências para tornar o planejamento final rico em conteúdo, robusto em métodos e amplamente aplicável.

Finalizando, apontamos questões-chave no DEL, tais como a liderança, ambientes facilitadores, crianças e juventude, gênero e orientação sexual, qualidade de emprego, sociedade e meio ambiente, governança e democracia, cultura, capacidade, redução da pobreza e globalização, para citar apenas algumas. Sem conhecer estas realidades, certamente, seremos menos assertivos.

Para que o DEL seja bem sucedido, os líderes locais e os profissionais do desenvolvimento econômico precisam ter acesso a uma variedade de ferramentas, ideias e experiências que lhes permitam abordar estrategicamente suas questões mais complexas em nível local. Desafios locais requerem soluções locais.

Acreditamos que o planejamento estratégico para o DEL seja uma ferramenta pragmática e poderosa que ajuda significativamente a resolver questões locais. Essa ferramenta oferece, no mínimo, uma maneira de aperfeiçoar a interação necessária entre os variados setores do governo, empresas, trabalho e os pobres através do engajamento no planejamento estratégico para o DEL.

Se bem feito, oferece uma maneira de esclarecer as vantagens competitivas, identificar as oportunidades cooperativas, elaborar opções inovadoras, e gerar as estratégias mais adequadas para as prioridades locais.

O sucesso primordial e a realização desses resultados, no entanto, dependem da criatividade dos estabelecimentos e autoridades locais, instituições de treinamento, operadores do setor informal, empresas e organizações da sociedade civil para adaptação das ferramentas às realidades locais, e do uso desta série de experiências acumuladas como documento vivo, enriquecendo as informações para novas compreensões, conhecimento e experiências de nossos sucessores.

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Estou mais uma vez para falar de desenvolvimento econômico local, e agora abordarei a complexidade do processo e a importância das PESSOAS.

1. A contribuição mais rica da ciência econômica à compreensão das atividades primárias e do papel dos recursos naturais prende-se à seguinte proposição: recursos naturais não existem; eles precisam ser criados. O conteúdo dessa afirmação não é autoevidente e pode mesmo causar estranheza. Vamos torná-lo mais claro.

Qual é a relação da agricultura com as terras? São as terras que fazem possível a agricultura ou é a agricultura que torna as terras agricultáveis? É claro que a agricultura depende de terras, mas é a dedicação à agricultura que cria terras adequadas, ao lado de outros recursos.

Assim tem sido desde a antiguidade, mundo afora e no Brasil. O aproveitamento das terras dependeu do conhecimento sobre o regime de águas e levou ao estudo dos astros. O desenvolvimento sustentável da agricultura demanda esforços, investimentos.

São evidências disso o desenvolvimento de técnicas de domínio dos ciclos das águas, de proteção do solo e das culturas, de limpeza e fertilização do solo, de adequação das sementes e das variedades de plantas a cada tipo de condição de solo e clima, e tantos outros.

A terra estava longe de ser um recurso, era um recurso em porvir, e nunca viria a ser sem a ação deliberada do homem. Foi a pesquisa agrícola que criou as terras agrícolas adequadas, tornou terras aptas ao cultivo, depois levou à indústria.

"A riqueza do minério está muito menos nele do que nos esforços que têm que ser mobilizados para a sua exploração". (*João Furtado, economista e professor da Poli (USP, 2011).

Fiz toda esta analogia, para explicitar a importância da ação do homem e não somente dos recursos para tornar real o desenvolvimento econômico local. De nada adiantará o interesse de uma indústria de grande porte se instalar em nosso município, se ela não for recebida e acolhida adequadamente e não houver um “ambiente favorável” para o desenvolvimento de suas atividades. E este “ambiente favorável” iniciará exatamente no primeiro contato, na receptividade do responsável. Este ator é quem vai vender a “belezura do município” e convencer o empreendedor a escolher o nosso município em detrimento aos demais 852 espalhados por Minas Gerais.

A ação desse indivíduo é fundamental na tomada de decisão desses investidores, ele tem o papel do convencimento. Porém, a partir desse convencimento, ele passa a depender da intervenção de outras autoridades hierarquicamente superiores, que nem sempre acompanham o processo com a mesma dinâmica requerida pelo setor privado, e todo o trabalho pode ser desperdiçado. A pretensa indústria passará em nossa porta, e se estabelecerá em outra localidade. É possível ver as empresas já instaladas no município, mas as que passam por ele e não conseguiram encontrar o tal “ambiente favorável” e vão para outras localidades são numerosas e invisíveis aos olhos.

Daí a importância da ação do homem. O que reforça o comentário acima de que os recursos não são naturais, têm e devem ser criados. Precisa da ação perseverante e obcecada do homem.

O desenvolvimento econômico local suscita uma reflexão análoga. Para que os recursos naturais passem a ter valor econômico e social, é preciso criá-los. É necessário, primeiro, descobrir a localização destes recursos, a vocação, para então identificar qual tipo de investimento realmente gerará o almejado fomento da economia, a geração de trabalho, emprego e rendas, e então iniciar a busca destes investidores. Isso ocorre com prospecção, um trabalho não trivial.

Entre a identificação da atividade adequada e seu uso industrial no local, existe um longo percurso, envolvendo planejamento e execução. É ele que cria o recurso (dito) natural, por intervenção humana.

Tem de haver a exploração de todas as ferramentas, até seu esgotamento, no sentido de ampliar a disponibilidade desses recursos e a riqueza associada. Cada ciclo de descoberta e de valorização dos recursos estimula mais esforços e descobertas. O desenvolvimento de soluções em uma exploração industrial permite o seu uso em outras oportunidades, gera novas soluções. A exploração de uma indústria de grande teor permite, depois, desenvolver novas atividades com teores inferiores.

A exploração dos recursos existentes cria um ciclo virtuoso e gera novas possibilidades.

Para explorar um potencial local é necessário mobilizar antes outros recursos. A inteligência e o conhecimento dos atores envolvidos, a informação computacional e os modelos complexos e sofisticados que auxiliam na interpretação dos "dados", os equipamentos e as amostras coletadas, os projetos para viabilizar o empreendimento, os recursos financeiros mobilizados para permitir os investimentos são atos econômicos criadores de riqueza, antes que a indústria possa produzir o primeiro resultado material próprio.

São apostas privadas com resultados sociais; e eles precedem qualquer resultado que possa ser apropriado pelo empreendedor, pela empresa, pelos investidores.

Para o empreendedor, o recurso só será rentável quando a venda do resultado da exploração superar os investimentos realizados; mas para a sociedade, a riqueza será criada a partir do momento em que o primeiro investimento for realizado, desde a prospecção até o momento em que as indústrias começam a sua implantação, culminando com o início da produção.

Para uma indústria vir a se estabelecer em outra localidade e ser bem-sucedida suscita novos investimentos, novas mobilizações de recursos, novas prospecções. É por isso que os recursos não são, eles tornam-se, vêm a ser: se o ambiente favorece a atividade, se uma exploração produz resultados consistentes com o investimento realizado, o ânimo dos investidores é reforçado e com isso as atividades de prospecção crescem e as atividades podem ver-se ampliadas.

Enfim; ninguém virá para o município sem a ação de um representante com as características e as técnicas de convencimento compatíveis e confiáveis. E sem o respaldo dos demais setores com poder de decisão, a chance de ter este trabalho perdido será muito provável, e mais uma indústria INVISÍVEL aos olhos passará por nós.

 

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Diante de tantos -contra tempos- verificados a todo momento em nossos setores, tratamos brevemente sobre este tema e, compartilhamos com os demais colegas este comentário.

Aproveito, para mais uma vez, transmitir a máxima de que: "Não se pode fazer na vida Pública, tudo o que se faz na Privada"!!!

Uma das dificuldades do Município de Ribeirão das Neves, assim como de muitos outros – é fazer cumprir a legislação, devido a sua proximidade com os cidadãos/contribuintes e a uma cultura "paternalista" há tempos empregada, onde atores de outros órgãos e/ou setores, agem em desfunção e em desacordo com suas atribuições, levando o fiscalizado frente ao fiscalizador, criando então uma relação de pessoalidade, e concomitantemente criando um desconforto para as tomadas de decisões, seguindo o que rege a lei.

Vejam que tal fato já não se aplica à Receita Federal do Brasil ou a Secretaria Estadual da Fazenda, por exemplo, como também a outros órgãos fiscalizadores (IEF, IBAM etc).

Não se houve falar que o cidadão vai à Receita Federal do Brasil pedir maior parcelamento do Imposto de Renda do que o prazo divulgado, ou mesmo pedir mais parcelas para o IPVA, muito menos, pedir anistia de multas ou encargos de mora por atraso.

O exercício do Serviço Público, Federal, Estadual e Municipal não é um direito, é um dever e os servidores que exercem funções públicas devem cumprir estritamente o que está disposto na LEI – conforme estabelecido no Princípio da Legalidade e outros dispositivos constitucionais.

Sabemos da polêmica que causa na população cobrar determinada ação do contribuinte, implantar uma "nova" exigência (ainda que velha na lei) de prestar informações ou de ingressar previamente com pedido ou requerimento, ou da obrigação de pagar determinado tributo. Pagar tributo e prestar informações - infelizmente - é uma obrigação de todo cidadão - quando previsto em lei - e não pode o poder público ou o servidor abrir mão da exigência da lei.

Quantas Secretarias de Fazendas Municipais não deixam de lançar determinados tributos previstos na legislação municipal, ou mesmo multas fiscais pelo descumprimento de obrigações – como multas por não pedir previamente alvará de construção etc. e, assim, ficam os secretários e os servidores responsáveis comprometidos pelo não exercício da obrigação funcional, causando prejuízos ao erário e infringindo a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A liberação de Alvará de Localização e Funcionamento é um "comprometimento" do Poder de Polícia Municipal (Prefeitura) emitido pelo servidor responsável de que a empresa/estabelecimento está apta a localizar e funcionar em determinado local/imóvel, ou seja, que ele cumpre as normas urbanísticas, de segurança, de higiene, de uso e ocupação de solo, dentre outras e, que assim, pode abrir sua empresa naquele local.

Há entendimentos que havendo prejuízo a terceiros e o poder público tendo autorizado o funcionamento de estabelecimento em local irregular, há uma corresponsabilidade do poder público.

A regularização de obras prontas (ou "antigas") ou acréscimo deve ter previsão legal para o seu enquadramento na lei, para a emissão do alvará de habite-se (pronto para uso), com a assinatura de um RT - Responsável Técnico que ateste em Laudo Técnico e atendimento as demais normas locais, para somente assim, ser autorizado a Localização e o Funcionamento de estabelecimento.

Se é uma exigência ("incomodo") para o proprietário e o inquilino (e quiçá para os servidores que exigem) a exigência de habite-se para emitir o alvará de localização, é segurança aos usuários e clientes, de que aquele estabelecimento está dentro das normas técnicas e que tem um engenheiro responsável que atestou que a obra está dentro das normas técnicas e, muito maior segurança, para o servidor municipal que emite o Alvará.

Como toda norma e exigência, deve ser desfeita de toda burocracia possível, deverá ser amplamente divulgada com adequações às leis locais, dentre outras medidas.

Abaixo, transcrevemos um exemplo de posicionamento do judiciário sobre o tema, para reforçar o nosso raciocínio, e levar ao entendimento dos contribuintes, que os servidores não inventam, mas se baseiam no que é estabelecido pela Lei.

Alvará de localização e funcionamento x alvará de habite-se.

"Fiquemos atentos ao disposto na legislação e ao comprometimento da Obrigação Funcional dos Servidores Públicos, sob risco de possíveis punições ou "dores de cabeça" no futuro".

Afinal, enquanto servidores públicos não podemos fazer o que "gostaríamos de fazer", devemos fazer o que a lei estabelece.

Abril 2011

Marcilio Melo Professor e Consultor para o Fisco Municipal
Diretor da Gestec Municipal – Tecnologia em Métodos de Gestão do Fisco Municipal

"O funcionamento de estabelecimentos comerciais em edificações irregulares, sem alvarás de construção e sem habite-se, pode acarretar dano grave à ordem e à segurança pública. Agravo regimental improvido"

(AgRg na SLS 1066/MA – Ministro Cesar Asfor Rocha - DJ 18/12/2009).

"A decisão acima é de final de 2009, mas ainda serve como motivo de o Município vetar a liberação de alvará de funcionamento para estabelecimentos instalados em edificações irregulares e sem habite-se. O correto, sem dúvida, teria sido embargar a obra ainda em fase de construção, mas, nem sempre a fiscalização municipal de obras particulares consegue ser tão atuante assim".

Finalmente, não adiante qualificar culpados. Se o cidadão que constrói sem tomar as devidas e necessárias providências burocráticas como, “consulta prévia, alvará de construção, habite-se entre outras” ou o poder público que não consegue fiscalizar todas as obras existentes no município.

O que precisamos na verdade, é entender que a demanda existe, e precisamos nos reinventar, para achar a forma de resolução.

 

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"Os sinais apontam para mais um ano de crescimento econômico bem aquém do necessário. A produção industrial cresceu apenas 0,7% em fevereiro sobre janeiro, quando havia recuado 0,7% sobre o mês anterior. A taxa de desemprego voltou a subir atingindo 13 milhões de pessoas e os índices de confiança têm recuado. A expectativa gerada de que a eleição de Bolsonaro, com promessas de uma agenda liberal, iria destravar a atividade econômica, não tem ocorrido na velocidade que o mercado esperava. Até agora, de concreto, só os leilões de aeroportos e ferrovias que tiveram elevados ágios sobre os preços inicialmente propostos".

Fonte: Revista Conjuntura Econômica | Abril de 2019

Nota-se em quase todas as regiões do Brasil que as prefeituras, o setor privado e a sociedade civil estão à procura de melhores formas de alcançar o desenvolvimento econômico local.

Isso se deve ao fato de que os governos locais lidam com reformas democráticas cada vez mais frequentes. O significado dessas mudanças é que os cidadãos e os governos locais agora lidam com desafios imensos, e terão maiores responsabilidades para trabalharem juntos com o objetivo de abordar a saúde econômica dos municípios e o sustento de seus cidadãos locais, em que muitos dos quais podem estar sub ou desempregados e vivendo na pobreza.

Ao tomar conhecimento da realidade nacional, conforme o trecho da matéria da Revista Conjuntura Econômica, conscientizamos de como é desafiador responder a essa demanda e ajudar o executivo e os variados parceiros no setor privado, a lidar com essas questões. Alcançar um crescimento econômico e manter-se competitivo já é, por si só, um desafio sério. Garantir que os benefícios do crescimento se propaguem amplamente a fim de que o desenvolvimento seja inclusivo e que produza impacto na qualidade de vida de todos os cidadãos representa um desafio ainda maior.

A questão, portanto, é não só como tornar o crescimento econômico uma realidade em nosso local e comunidades, mas como garantir que o crescimento beneficie os marginalizados e os pobres. Isso requer que o Desenvolvimento Econômico Local (DEL) seja estabelecido com firmeza em uma estrutura mais ampla de desenvolvimento local sustentável. Por sua vez, isso demanda uma abordagem estratégica, que implica uma consideração cuidadosa das diversas relações custo benefício, além de implicar escolhas difíceis.

Também requer o aproveitamento e a mobilização de capitais locais humano, social e financeiro em direção a visão, objetivos e metas comuns que a comunidade aspira alcançar. Isso é possível somente quando os vários interessados e atores unem forças para fazer uma diferença na qualidade de vida de suas cidades e assentamentos. Teremos de tratar o Desenvolvimento Econômico Local, em torno desses princípios. Enquanto há muitas ferramentas e melhores práticas no campo do desenvolvimento econômico local, estabelecê-los em uma estrutura institucional local de governo e de agenda de desenvolvimento permanece como desafio principal.

As ações da sala do empreendedor, trabalharão para diminuir esse descompasso, e aumentar o papel das autoridades locais, oficiais eleitos e seus colaboradores, guiar e estimular o desenvolvimento econômico local para benefício de seus cidadãos.

Para que o DEL seja bem sucedido, os líderes locais e os profissionais do desenvolvimento econômico precisam ter acesso a uma variedade de ferramentas, ideias e experiências que lhes permitam abordar estrategicamente suas questões mais complexas em nível local. Desafios locais requerem soluções locais.

Acreditamos que o planejamento estratégico para o DEL seja uma ferramenta pragmática e poderosa que ajude significativamente a resolver questões locais. Esta ferramenta oferece, no mínimo, uma maneira de aperfeiçoar a interação necessária entre os variados setores do governo, empresas, e parcerias em geral.

Se bem feito, oferece uma maneira de esclarecer as vantagens competitivas, identificar as oportunidades cooperativas, elaborar opções inovadoras, e gerar as estratégias mais adequadas para as prioridades locais. O sucesso primordial e a realização desses resultados, no entanto, dependem da criatividade dos estabelecimentos e das autoridades locais, instituições de treinamento, operadores do setor informal, empresas e organizações da sociedade civil para adaptação das ferramentas às realidades locais, e do uso desta série de experiências acumuladas como documento vivo, enriquecendo as informações para novas compreensões, conhecimento e experiências de nossos sucessores.

Quando falo de DEL, baseando nas particularidades do nosso município, Ribeirão das Neves enfrenta um desafio ainda maior. Sem o cuidado necessário no passado em criar uma vocação específica para nos nortear, com uma ocupação desordenada de áreas nobres permitidas por várias gestões, com um crescimento demográfico incompatível com a realidade financeira do município, com os paradigmas de “Cidade dormitório”, “Cidade dos Presídios”, o local tornou-se menos atrativo em relação aos circunvizinhos.

O governo do estado, principal responsável pela poluição da imagem do nosso município, alojando aqui, mais de 10 mil hospedes carcerários, que disputam todos os equipamentos ofertados aos contribuintes pelo poder público, sobretudo na área da saúde, tem nos negado severamente os devidos reparos, incluindo nestas negativas, a parceria para implantação de um polo industrial, no terreno às margens da BR-040, doado ao município em 2006 e revertido ao Estado em 2016 pela gestão 2013/2016.

Para driblarmos todos estes dificultadores, e atrairmos novos empreendedores, fora dos seguimentos “comércio e serviços e habitação” teremos de criar um AMBIENTE FAVORÁVEL. E para criarmos este “ambiente favorável” precisamos de espaço e recursos financeiros. Como dito acima, os espaços nobres já estão subutilizados, enquanto que os recursos, teremos de usar da habilidade e da criatividade para consegui-los.

Mas tenho fé, e vamos continuar lutando por isso.

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Volto para concluir o raciocínio da última publicação intitulada "Requisitos para um projeto de desenvolvimento local", em que fiquei de comentar sobre "Compromisso" e "Desenho de parcerias".

Quero esclarecer que esta visão aqui exposta foi adquirida graças a dezenas de viagens a municípios que conseguiram avançar no programa de desenvolvimento local. Nestas idas, conseguimos colher informações sobre experiências, conhecimentos dos processos e caminhos que deveremos seguir ou evitar.

Ficou claro para mim nestas interações, que por mais diferentes sejam os municípios, por mais que as características e particularidades sejam divergentes, o caminho a seguir é um só: o da austeridade, da imparcialidade, do compromisso, da perseverança, da lealdade, da parceria, do planejamento estratégico e da atitude.

Compromisso com o desenvolvimento econômico local

Os resultados positivos das ações sobre o Desenvolvimento Econômico Local - DEL dependem inicialmente de uma atitude de compromisso por parte do Executivo. É esta postura que possibilitará articular a mobilização das capacidades locais, alterando a dinâmica social. Esse compromisso deve se materializar na promoção das ações da produtividade social.

Este conceito, que alguns autores utilizam como produtividade urbana, diz respeito às externalidades negativas que afetam o desempenho das unidades de produção e, por extensão, da economia local, além de geralmente produzir efeitos negativos sobre a qualidade de vida.

Em última instância, desenvolver produtividade social significa promover o uso racional dos recursos de uma determinada comunidade. A maximização da produtividade neste caso não é vista pelas unidades de produção, do ponto de vista do desenvolvimento local, e pensada como melhora da produtividade conjunta. Por isso, o aumento da produtividade social só pode ser conseguido como resultado de ações articuladas dos diversos segmentos sociais, dos diversos setores econômicos, no meio urbano e no meio rural.

Identificando-se os fatores subutilizados, a Prefeitura pode levá-los a um melhor aproveitamento pela ação articuladora ou pela ação normatizante. Nas regiões de monocultura e/ou horticultura, por exemplo, há desemprego sazonal. Pode-se utilizar o solo e mãos de obra disponíveis para dar outra destinação para o período. Como em Shangai/China, por exemplo, onde há um esforço muito grande para não haver lote vazio como recurso subutilizado, não ter área urbana que não seja plantada, e lagoa que não tenha patos.

De outra forma, realizar ações que incrementem a produtividade social significa intervir na infraestrutura e nos serviços públicos, orientando-se para a eliminação de perdas e o aumento da produtividade dos recursos públicos ou privados de que a comunidade dispõe, considerando-se que estes recursos devem gerar a maior quantidade de bem-estar possível.

Estas ações de incremento da produtividade social precisam ser embasadas em informações que nem sempre são fáceis de quantificar, ainda que seja importante, quando possível, dispor de indicadores que mostrem quais são as perdas suportadas pelos indivíduos e pelas unidades de produção, que são geradas pelo ambiente econômico e social do município.

Para exemplificar o relato, cito o tempo gasto em espera de ônibus. Se um dado município apresentar elevado tempo médio de espera, pode-se dizer que o sistema de transporte coletivo desta localidade reduz a produtividade social, é um fator negativo sobre a qualidade de vida dos cidadãos e afeta o desempenho das unidades de produção.

Desenho de novas parcerias

Quando a Prefeitura assume a função de agente articulador das iniciativas e dos atores que serão integrados ao planejamento do desenvolvimento econômico local, cresce a importância das parcerias. Hoje tem-se assistido ao surgimento de parcerias nas mais diversas áreas, envolvendo múltiplos atores. Entre estes, cresce o envolvimento de empresas com interesse em parcerias para as ações do desenvolvimento local. Para estabelecê-las, é preciso mostrar claramente que a participação das empresas em um determinado programa irá produzir algum retorno em que elas também possam se apropriar. Podemos citar como exemplo: se uma grande empresa de sua região apoiar financeiramente várias escolas públicas, onde o índice de miséria e criminalidade sejam altos, ajudando na educação através dessas parcerias, e em constante diálogo com os diretores e pais de alunos, estes valores investidos poderão ser compensados com a redução da insegurança e da criminalidade no entorno da empresa, além de construir nestas escolas, talentos que possam vir a ser absorvidos pela própria empresa.

É muito importante que as parcerias estabelecidas tenham um alvo direto e bem definido, ou seja, clareza do problema central que se pretende minimizar ou eliminar, mas que se estendam pelo caminho mais amplo possível do processo em que este problema se insere. 

A identificação dos atores sociais envolvidos em todos os momentos desse processo é fundamental. Esses atores podem ser, além da própria Prefeitura local, do Governo Federal e do Estado, de ONGs, comunidades organizadas, instituições de pesquisas e formação, e claro as empresas do setor privado.

Vai se identificando os atores e suas capacidades de ação e interesses. Em um trabalho de articulação política, constrói-se um aparato institucional mais ou menos formal que dinamize essa relação que se pretende implantar; companhia de desenvolvimento econômico local, cooperativas, fundações comunitárias municipais e muitas outras formas.

No campo das parcerias, as ações desencadeadoras têm grande importância. São ações que agregam e abrem espaço. Além de realizar um determinado objetivo imediato, mudam atitudes, rompem inércias sociais e institucionais. Em algumas regiões os bolsões residenciais apresentam-se como fator desencadeador de uma série de ações no interior daquela comunidade. Com os problemas apresentados, como alta disputa por saúde, educação, emprego, lazer e outros equipamentos de primeira necessidade, a solução para assegurar o objetivo de amenizar ou sanar estes problemas, será necessário estruturar um sistema de funcionamento preciso, com alto grau de governabilidade. Em vez de usar somente a máquina pública, a Prefeitura estabelece criteriosas parcerias, identificando como dito acima, o, ou os parceiros adequados.

E não querendo ser repetitivo, relembro uma frase aqui já expressa por mim algumas vezas... "Para se desenvolver um local, primeiro é preciso desenvolver as pessoas".

PS.: Aproveito para saldar e dar as boas-vindas para nossos novos colunistas Eduardo Carolino, Kátia Metzker e Gabriel Wirz, que muito nos ajudará a fazer deste conceituado espaço, um novo vício para nossos leitores.

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