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Maria do Carmo Freitas

Aproveitando recesso escolar dos filhos, um adolescente de 13 anos e uma menina de 5, um casal

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Nas praças, ruas, calçadas e esquinas de Paris, Londres, Berlim, Madri… o cheiro do medo e da insegurança ecoa pelos cantos, alertando que, a qualquer momento, homens bombas, em nome da intolerância e do fanatismo, podem ceifar vidas de pessoas inocentes, Entretanto, a rotina dessas cidades não muda, pois as instituições e leis são confiáveis. E, mesmo ante a ousadia de terroristas, os cidadãos acreditam na segurança montada e na proteção do Estado.

No Brasil, o assombro sai do teatro que se transformou o cenário político, mas a peça é pobre e os atores de péssima qualidade. No palco, mentiras sinalizam sobre o falido Sistema que governa o país e, a cada ato encenado, os atores escancaram a insana e desenfreada corrupção, aliada a progressiva impunidade e injustiça. Além disso, na contramão dos desmandos e da roubalheira, a violência velada faz sangrar as filas dos hospitais, na comida que falta no prato de milhares e no desemprego que adoece a mente.

David Livingstone Smith, filósofo e escritor americano, afirma que os políticos são mentirosos profissionais, vendedores de ilusões e completa: “os políticos são mestres de manipular nossos medos, esperanças e de apresentar imagens falsas ou enganosas de si mesmos, do estado e do mundo que eles farão.” Segundo Smith, é impossível ser um político de sucesso sem ser mentiroso. Mas, a mentira e o descaramento de políticos brasileiros atingiram níveis inaceitáveis, ainda que se diga que a política nunca foi mesmo um território de santos e inocentes. Isso no mundo inteiro. Mas, no Brasil, ela provoca um estrago e estranhamento tão grande que chega a perversão. Vale lembrar que a sociedade está à mercê de uma violência urbana que cerceia o cotidiano do cidadão de bem, mostrando que o país está despedaçado, pois contabiliza mais de 60 mil homicídios ao ano e desampara 14 milhões de brasileiros desempregados. Além disso, a crescente violência contra a mulher e a homofobia que saiu com força do armário alertam que o Brasil não avançou em programas de atenção e de proteção à mulher e o desrespeito às diferenças de gêneros é chocante.

Porém, no momento, o que de fato, precisa acontecer é o surgimento da verdade e o comprimento da justiça, banindo de cena as elites políticas e empresariais corruptas, combatendo também o discurso da ilusão, reverter o quadro, limpar a sujeira e remover o entulho acumulado durante décadas. Os meios de comunicação mostram, analisam, exaustivamente, o descabimento, as incertezas, o estranhamento e, principalmente, a impunidade. O mau cheiro terrível que escapa dos porões e dos buracos da política em Brasília, é de deixar tonto o mais desavisado cidadão de bem, que assiste boquiaberto até onde corruptos e corruptores vão parar. Tal qual a forma as empresas se envolveram no esquema institucionalizado da corrupção que o único meio de sobrevivência é continuar no esquema.

Dessa forma, diante de tantas bandalheiras, fica difícil acreditar que o Brasil tem chance de sair da sua maior crise política, pois mantém no poder um presidente que não é legitimado e que não nos representa.

Como acreditar que o país vai recuperar a credibilidade, o crescimento econômico e a política como construção democrática da representatividade popular, se bandidos agem descaradamente em nome de grupos econômicos, fazendo as piores propostas, mostrando que o dinheiro flui mais para quem negocia não com bens, mas com favores? Que as delações explicitaram que, depois de distribuir as propinas, usam o Brasil sem nenhum escrúpulo do menor político até o presidente da República.

Como acreditar que o Judiciário seja uma garantia de respeito à ordem constitucional, se muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho e, que as Leis não nos protegem deles? Como esperar justiça de um Judiciário que usa a farsa e muitas vezes um faz de conta, afirmando legalidade a tantas e infindáveis acusações? Como acreditar que os partidos políticos sejam resultados de estudos e planejamento de ideias, de compromissos a programas inovadores e de promoção social, se hoje se configuram em um ajuntamento de aproveitadores, fraudadores, ladrões a espera da primeira propina, sempre ajustados ao interesse de quem paga mais? Por fim, como não acreditar que as instituições brasileiras estão falidas? Se o descrédito a elas é total, pois a corrupção é recompensada e a honestidade, não. Enquanto isso, o Brasil perpétua um atraso secular, o sofrimento e a pobreza que assola milhões de trabalhadores, que ainda podem ser punidos com o pesadelo da famigerada reforma trabalhista.

O certo, porém, é que a sociedade não pode se omitir. É preciso pressionar, ocupar as ruas, os espaços públicos, exercendo a cidadania, lembrando que o voto é a arma mais poderosa e legítima, ainda que muitos políticos eleitos pelo povo sejam para cargos municipais, estaduais ou federais, vivem sendo citados por práticas ilícitas na administração pública, incluindo a má gestão e a favorecimento de amigos e apadrinhamentos. O cidadão pode sim, mudar a situação, escolhendo melhor o seu candidato no momento do voto e depois fiscalizar seus representantes eleitos, cobrando seriedade, ética e trabalho honesto em prol do bem comum. Vale lembrar, entretanto, que não se pode culpar só os políticos. Há toda uma estrutura de governo, em todos os poderes, corrompida, apodrecida e deitada em privilégios absurdos e inaceitáveis, sendo impossível saber quais são os limites para participar do jogo. Contudo, as cortinas caíram explicitando o universo deteriorado, e, uma coisa é certa, com a Justiça Divina não se brinca, a cobrança aos culpados, em algum momento vem.

Vale dizer também que, para ter um país melhor, mais justo e igualitário, é preciso investimento real na educação, cultura e na arte, pois a arte humaniza e transforma o cidadão. Por hora, a música de Caetano Veloso, “Podres Poderes”, do final da década de 80, reflete a conjuntura do Brasil atual, a metáfora sobre a quadrilha que hoje comanda o país.

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais.”

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"Escrevo para tranqüilizar a saudade"
(Rubem Alves)

Saudade é um sentimento de nuances. Contraditório por vezes. Ela nos reconforta, nos desequilibra, nos aquieta, nos desconstrói e nos desestabiliza, mas nos mostra o amor, ainda que doido.

Saudade traz alegria, choro, tristeza, loucura temporária, tudo junto e misturado. Traz também novos olhares sobre tudo que já vivemos e que nos fortalece, trazendo o aconchego dos entes queridos e a valorização das nossas raízes. Saudade é como um arqueólogo, que cava minuciosamente, a nossa alma. Ela nos remete ao passado, ao querer voltar no tempo que foi bom e prazeroso. Saudade é memória. A poetiza Adélia Prado escreveu: “aquilo que a memória ama, é eterno.” Eu acredito, a saudade provoca a volta ao que vivemos, ao fortalecimento dos nossos laços familiares, as fantasias da infância ampliadas e transfiguradas pela memória, tornando mais belo o vivido. Promove um diálogo com o passado e comprova que o amor aos nossos pais é exclamação eterna.

Há quase cinco anos, sinto uma saudade diferente. Antes era uma saudade despercebida. Eu não a levava tanto a sério. Hoje, o meu olhar ficou mais detalhista com o que vivi, aprendi, brindei e compartilhei e, estou aprendendo a não ter pressa, a meditar e a descobrir quem            eu sou. A saudade, às vezes, me é dolorida, outras, mais leve, com alegria e boas recordações. Mas, se a saudade se dá a este papel, ela também escancara que tudo que é belo, passa, que tudo que amamos, passa. É por isso, que ela é um estar em nós.

Em algumas datas comemorativas, a saudade bate mais forte em nós, e não é pelo apelo  comercial, mas, porque o que está sendo comemorado, nos é significativo, nos pertence de fato, pois é a nossa alma que sente. Eu sempre recordo uma casa, uma sala, uma cozinha, uma mulher, um homem e um punhado de filhos. A mulher pequena, de voz mansa, que comandava com muito amor os seus filhos. A mulher que lavava e passava as roupas da casa, cozinhava e costurava. Cozinhava com o tempero da dedicação e costurava com os pontos da união e conciliação. Ela tinha também o discurso do amor.

A saudade traz de volta a criança que mora em mim. Então, lembro das brincadeiras de rua: do pegador, da amarelinha, do rouba bandeira... E da voz: “Menina, sai da chuva, você tem bronquite.” Lembro da sua religiosidade e da alegria, quando, aos quatro anos, cantei na coroação de Maria. Lembro também da sua vaidade e dos cabelos quase brancos.

O certo, é que a saudade que, comigo anda, esta semana, grita e, enquanto, escrevo, vejo um corpo, um rosto sereno, uma aceno e, constato que, o que eu mais queria, era estar ao seu lado, segurando a sua mão. Então, acesso alguns portais e em todos há um bombardeio de anúncios lembrando o “Dia da Rainha do Lar.” Penso como seria uma propaganda lembrando a rainha do lar, falando da “saudade”. Uma propaganda bem criativa e peculiar como a própria palavra que só existe no português. Como seria criar um desejo, uma marca, ante a uma palavra tão emblemática para a memória, mas que fala das coisas do coração, do acumulado pelo tempo e das experiências com o “outro?” Como motivar em cima de um sentimento tão perene, num mundo tão imediatista, tão superficial, num tempo tão corrido, virtual e “liquido”, como escreveu Bauman?

Eu, particularmente, acho que saudade é de um tempo vagaroso. Se o cotidiano a banaliza, tirando-lhe o seu valor, ela resiste porque faz parte do “belo”, e não é só sentida pelos poetas e boêmios. É um sentimento universal. Ela pertence a todos e transcende a nossa alma, porque nos desafia a sermos pessoas melhores pela reflexão que promove, ou quem sabe, ser como a fênix. O personagem Riobaldo, sabiamente disse que a lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos: “uns com os outros acho que nem não se misturam.” É verdade, a nossa vida faz recortes pra trás, sem misturar os fatos e as pessoas. A ponte com o passado é inevitável. Nós precisamos estar no “agora”, mas as nossas referências estão lá no passado. Por isso, rimos, choramos, redescobrimos, enfrentamos os desafios e revivemos ao sabor do grito chamado saudade.

Por fim, o meu diálogo com a epígrafe acima, é verdadeira, pois, como Rubem Alves, a escrita é minha cúmplice. Hoje, eu escrevo para tranqüilizar a saudade. E, assim, por meio dela poder expressar a minha a eterna admiração por uma mulher, reafirmando, que ela, a minha mãe, é hoje uma estrela e luz crepuscular da minha vida. E, só por ela, por hora, me rendo à propaganda, dizendo: "mãe, eu te amo".

Este artigo eu dedico as mães dos meus colegas de profissão: Lucinéia Pacheco, Léo Oliveira, Milton Santos, Jouse Prata, João Vitor, Raiane Santos, Maria Alves, Gabriela Cardoso, Alexandre Cardoso, Marcos Lima, Gisele Corrêa, Gisele Santiago e Eric Lucas.

 

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"Quem traz na pele essa marca,
possui a estranha mania de ter fé na vida.”

Estes versos de Fernando Brand sintetiza maravilhosamente, o ser mulher. Um ser singular e de múltiplas possibilidades. Um ser que tem o dom do amor e da emoção. Que mesmo nas adversidades, não desiste de lutar por uma vida e um mundo melhor.

No intuito de desvendar o “mundo feminino”, a mulher tem sido sujeito de estudo por parte de filósofos, sociólogos e (d) escrita em prosa e versos, por inúmeros escritores, no mundo inteiro. A escritora francesa Simone de Beauvoir, no livro, “O Segundo Sexo”, afirma que o ser mulher é uma construção, que se estabelece nas relações com o outro, nas suas experiências e vivências ao longo da vida. Também o filósofo alemão, Martin Heidgger, autor do livro “Ser e Tempo”, escreveu que o ser humano se faz nas vivências e experiências de seu tempo. No livro, “A Terceira Mulher”, o filósofo Gilles Lipovetsky, relata o percurso histórico vivenciado pelas mulheres no contexto social, cultural, político, econômico e religioso, abordando também a mulher reconhecida para procriar, perpassando pela exaltação da mulher, cantada em versos e prosa e, por fim, a mulher contemporânea, dona de si mesma.

No Brasil, a socióloga e psicanalista, Regina Navarro Lins, no livro, “A Cama na Varanda” aborda a profunda transformação ocorrida nas relações entre o homem e a mulher, a partir dos anos 60. Regina Navarro fala também da eterna busca da mulher pelo amor romântico, a repressão sexual e da manutenção de casamentos que trazem mais sofrimentos que alegria, mas, que são valores que vem de longe e prevalecem até os nossos dias, arraigados à mentalidade contemporânea. Em seu estudo, Regina aponta que, embora a moral patriarcal ainda embutida no pensamento atual, que gera muitos conflitos nas relações afetivas, sociais e profissionais, a mulher tem percebido as suas próprias singularidades, não tendo mais que se adaptar a modelos impostos de fora. Essa mulher que abre hoje, espaços para novas formas de viver, experimentando novas sensações. Um ser intelectual, integrada ao mundo. Uma mulher que se reconhece e se faz ser reconhecida como um ser capaz, tanto social quanto profissional. Um ser que, harmoniosamente, desenvolve um potencial criativo e não mais se limitando ao papel de esposa e mãe. Então, quantas mulheres cabem dentro de uma mulher? “Voltando a Simone de Beauvoir, que afirmou:” Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Cabe afirmar, ser mulher, é de fato, uma construção social, mas que se consolida a partir de suas relações interpessoais realizadas no tempo, espaço e contexto social, no qual está inserida.

Essas obras refletem o modo de ser mulher, que além de ser mãe e profissional, exerce outros papéis, vivendo os diferentes modos de ser mulher. Vale dizer que a mulher contemporânea é o reflexo das suas escolhas e das relações que estabelece com o outro, ou seja, a mulher constrói e re-constrói a sua identidade e a sua história diariamente. Então, mulheres são tantas quantas a imaginação e a fantasia permitirem, sejam elas reais e ou ficcionais.

Por isso, vale lembrar, dentre tantas, mulheres que foram modelos revolucionários e humanitários. Que transgrediram e colocaram na vanguarda o pensamento feminino. Mulheres fortes, cultas e dedicadas à causa que abraçaram. Madre Tereza de Calcutá, que se doou aos pobres, na Índia, Zilda Arns, médica sanitarista brasileira, que salvou a vida de muitas crianças, Nise da Silveira, psiquiatra que revolucionou o tratamento da loucura no Brasil, Frida Kahlo, pintora e ativista mexicana. Frida é considerada uma mulher a frente do seu tempo. Ela se transformou em um ícone do surrealismo e do universo feminino dos anos 50. Angelina Jolie, atriz americana, ativista política e humanitária, que luta pelos direitos humanos e das mulheres, Malala Yousafzai, menina, que luta pelo direito das meninas estudarem, no seu país, o Paquistão. Malala foi ganhadora do prêmio Noel da Paz, em 2014.

Na Literatura mundial e brasileira são muitas as personagens femininas, fortes, sofredoras, sedutoras e enigmáticas. Molly Bloom, no livro Ulysses, de James Joice, proporciona um passeio pela pluralidade da alma humana. Ema Barory, em “Madame Bavory”, de Gustave Flaubert, tem personalidade complexa: delicada, egoísta, dramática, ingênua... Tereza, em “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, é um personagem que carrega dores e traumas, porém é fascinante e instigante. Na literatura brasileira, como não citar a personagem emblemática, Capitu, do livro “ Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Em Capitu cabem várias mulheres, o que faz dela umas das personagens mais incríveis já (d)escrita, da nossa literatura. Por fim, Macabéa, em “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Macabéa, pouco ambiciosa se entrega apropria sorte. Sua riqueza é a sua pobreza.

Dia Internacional da Mulher

Dia 8 de março, dia dedicado à mulher, é uma marca simbólica para lembrar um histórico de luta, reivindicações, conquistas e avanços, mas também para denunciar um cotidiano de exploração, preconceito, opressão, discriminação e, principalmente, da violência, que fazem vítimas mulheres, em todo planeta, sejam elas ricas, pobres, cultas, analfabetas, brancas ou negras.

A revolução Industrial e os avanços tecnológicos e científicos, que marcaram o século XX e, trouxeram mudanças significativas nas crenças e atitudes em relação à sexualidade, a liberdade sexual, que favoreceu à mulher o direito ao sexo com prazer e com o parceiro desejado. A descoberta das pílulas anticoncepcionais que permitiram a mulheres fazer sexo sem engravidar, mas não as livraram de um companheiro violento, que as exploram, humilham e as agridem, a cada instante.

O direito de votar e trabalhar não proporcionou a elas, mais dignidade no trabalho, mesmo sendo maioria nas fábricas, nas redações de jornais, rádios e tvs, nas universidades, no comércio, nos hospitais e tantos outros segmentos profissionais. As mulheres ainda sofrem uma jornada excessiva de trabalho e com baixos salários, o que comprova a desvalorização profissional, mesmo mostrando competência e criatividade. Mas, combater a violência na qual é vítima, diariamente, é principal luta da mulher, hoje, no mundo inteiro.

No Brasil, segundo pesquisa Data Folha, mais de 500 mulheres são agredidas a cada hora. A Central de Atendimento à Mulher denunciam que os 51,06% dos atendimentos correspondem à violência física e 31,10%, a violência psicológica. Esta pesquisa mostra ainda, que 70% das mulheres, sofrem violência dentro de casa. Vale dizer então, que o Dia Internacional da Mulher, além de comemorar as conquistas pessoais, culturais, sociais, políticas e religiosas das mulheres nessa trajetória histórica, serve para também denunciar a violência que assola todas elas. Que políticas públicas de apoio à mulher, sejam de fato viabilizadas. Que programas de proteção e acolhimento possam chegar a todas a mulheres, em todos os cantos do país. Que as mulheres pobres possam ter mais acesso aos exames preventivos de mamografia e do colo de útero e, principalmente, que a Lei Maria da Penha possa realmente punir os seus algozes.

Que este dia dedicado à mulher possa lembrar também as mulheres anônimas, comuns, trabalhadoras, mães, esposas, namoradas, amantes… Que as Marias, as Raianes, as Giseles, as Gabrielas... possam ser felizes, no trabalho, no amor e viver toda magia de ser mulher, colocando em prática toda a experiência que o mundo feminino lhes conferem.

Este texto eu dedico a Noida, moradora do bairro Rosaneves, que todo dia levanta às 4 horas da madrugada para trabalhar, voltando só à noite. Noida esbanja alegria e bom humor, apesar das dificuldades enfrentadas no seu dia a dia.

 

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“Eu não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome.”

No mundo mediado pelo tempo virtual, é a agenda on-line que marca uma nova maneira de se vivenciar as emoções e valores, pois estamos diante de um sujeito que expressa os seus sentimentos e sua visão de mundo através das redes sociais. Um sujeito que direciona o seu olhar quase que o tempo todo para a tela do computador e a tecla do celular, porque o importante é manter um perfil virtual e alimentá-lo em série; ter um momento de fama, escancarando a intimidade, falando o que sente e o que não sente. É o tempo marcado pela excessiva informação virtual e, é nesse tempo que se vivi, se ama, se agride, se mata e se tenta resolver muitas questões, desconstruindo a subjetividade.

O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman afirma que as sociedades contemporâneas não estão preocupadas com as relações duradouras  e, que o ser humano não está interessado nos vínculos duradouros, pois o que prevalece são as novidades constantes em um cotidiano apressado e que resulta em um emaranhado de encontros e desencontros, de chegadas e partidas, de medo e solidão. Segundo Bauman, boa parte das neuroses do homem contemporâneo nascem da fragilidade dos laços afetivos e que o amor está cada vez mais superficial, escorrendo pelos vãos dos dedos, mesmo que estejamos tão “necessitados.”

Necessitados um do outro, necessitados de carícia, de cheiro, de conversa ao pé do ouvido, de abraço apertado, necessitados, enfim, que acessamos mais o coração da nossa verdade pessoal, nessa aventura humana chamada vida. E  viver é um desafio constante.

Dessa forma, viver certas atividades podem ser insignificantes, sem graça e retrô aos olhos de muitos, pois não condiz com o “jeito moderno de ser.”  Entretanto, a epígrafe acima, é provocadora e nos convida a buscar e a vivenciar as várias possibilidades de ser feliz. Assim, um passeio, um lugar, a de arte de Frida Kahlo, a poesia de Mário Quintana, a voz de Stivie Wonder, um por do sol, a chuva no telhado, a brisa do mar, podem nos deixar feliz. Mas, sem dúvida, é no encontro com as pessoas que está a maior felicidade. “Todos nós buscamos o aconchego das pessoas. Não há felicidade sem o calor da lenha,” escreveu o poeta.

Esta metáfora ilustra a afirmação de que o objetivo da vida humana é a felicidade. E a felicidade pode estar também na concretude de pequenos gestos, reinventados pela arte da construção afetiva e do conhecimento que aproxima e favorece os vínculos enriquecedores e prazerosos do encontro com o outro.

Padre Fábio de Melo afirma que a experiência humana se desenrola na trama dos encontros e, que, devido a conscientização da nossa fragilidade, nos tornamos ainda mais necessitados uns dos outros. E, assim, quando emprestamos nossa energia ao outro, recebemos de volta a energia do cosmo. Se se na vida estamos sempre buscando o aconchego das pessoas, daí a necessidade de reinventar os sentimentos e celebrar com leveza os encontros em nossas andanças pelo mundo. Certificar que o amor é material e gestual: a mão que segura a outra no momento da alegria e da dor, da palavra que acolhe no momento de aflição e solidão, mas também dos corpos que se encontram para vivenciar a alegria e a diversão.

Assim, mesmo com toda rapidez do tempo, da nossa falta de tempo e da nossa pressa para resolver tudo, é necessário vislumbrar o singular, o peculiar e a sutileza. E foi num intervalo, que de repente, me permiti um passeio. Sim, um passeio daqueles que a gente fazia na infância e que era tão divertido e significativo para o nosso conhecimento. Sim, um passeio dentro de um encontro ou passeio mais um encontro. Um encontro de extrema felicidade. Felicidade que nasce da conversa, do riso, da música,  do encontro com a arte artesanal e da fruta que se torna arte nos diversos sabores.  “É a felicidade deixando de ser utopia porque entrelaçou a inteligência e o afeto do Outro.”

Um passeio e uma cidade barroca, secular. Uma cidade e uma feira de artesanato. Um passeio e o encontro de amigas. Amigas de infância, de estudo, de festas, de profissão e fé.

Uma Feira de Artesanato e o Festival de Jabuticaba, somando arte sacra e arte culinária, me fizeram descobrir que a felicidade anda embrulhada de diversos modos. Na procura pela peça mais bonita e do licor convencendo pelo sabor. No vai e vem de pessoas, que utilizam também a feira para passear, conversar, andar de braços dados, enfim, a felicidade que transcende do belo e da simplicidade. A arte do artesão, mostrada na beleza de uma obra gestada no interior da alma e concretizada pelas mãos. A arte poética e mistica que nos faz esquecer, ainda que temporário, o momento tão precário que vivemos. É poder da arte que humaniza e resgata a vida do caos.

A cidade e suas jabuticabas. Jabuticabas da qual se reproduz tantas delícias: geleias, licores, cachaça, pimenta, bombons, sorvetes … tudo confeccionado com qualidade, criatividade e amor. Jabuticaba que gera renda para o artesão e que dá visibilidade a cidade, divulgando-a Brasil afora.

Lembrando mais uma vez Fábio de Melo, quando ele diz que o amor é o maior de todos os artesãos,  pensei no artista de olhar sensível, que sente mais profundamente as dores do mundo e a sua própria dor, mas que transforma tudo em arte, que é fruto do seu amor.

O certo é que uma cidade, um passeio pode nos fazer feliz. Uma cidade de caminhos apertados, mas que respira história, tradição, que mantém seus costumes e crenças. Cidade onde se pode sentar em um banco da praça e se alimentar de uma boa prosa.

É certo ainda que a experiência humana vivenciada na simplicidade e na vagareza, é desafiadora e nos faz refletir: estamos todos inter-conectados, não existe mais distâncias. A vida deixou de ser artesanal. E, sem dúvida, tudo ficou mais fácil de ser resolvido; devemos utilizar a tecnologia a nosso favor. Mas, o imediatismo, a produção em série, coloca em xeque-mate a mistica da amizade.  Amizade que nos conforta e que nos ajuda a enfrentar os nossos medos. A amizade que nos instiga a buscar o encontro com a felicidade e a fazer fotografias mais verdadeiras.

Enfim, vale dizer que a felicidade é ação. É de ação que precisamos: trabalhar, doar, passear e aspirar. Aspirar escolhas e conquistas.

Em Sabará, a mesa foi posta: nos reaproximou, encurtou as distâncias e possibilitou indagações, inquietações e olhares novos. Por isso, provocará saudade. O passeio, o encontro foi em Sabará, mas poderia ser em outra cidade qualquer, pois nas casas do mundo há sempre varandas e cadeiras para quem ousa sentar. É só aceitar o desafio e entrar!

Este artigo eu dedico a todas as pessoas que foram a excursão em Sabará, no dia 3 de dezembro de 2016.

 

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"A política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque procura o bem comum". (Papa Francisco)

 

O princípio da democracia nasceu na Grécia antiga, quando, em praça pública, chamada Ágora, o povo era incentivado a participar da vida coletiva, discutindo seus problemas e ao mesmo tempo, procurando uma solução. Essa era uma forma de fazer política.

Então, desde os tempos antigos, os seres humanos buscam a melhor maneira de viver em sociedade e, com a própria evolução do homem, a sociedade se desenvolveu, superando os muitos desafios. Isso para que a própria vida humana continuasse a existir no planeta.

Aristóteles, filósofo grego, afirmou que o ser humano é um animal político, justamente por viver em sociedade, e não é uma escolha humana, é a única possível. Por isso, é característica marcante do ser humano conviver em grupos, tendo como fundamento a cidadania, a dignidade da pessoa humana e a construção de uma sociedade livre, participativa, justa, igualitária e solidária.

Hoje, o voto é uma das formas de se vivenciar a democracia. Ele representa a conquista de um espaço de prática coletiva da democracia. No Brasil, ainda que a qualidade da política praticada esteja marcada por maus políticos e pela corrupção, o voto, é a força da sociedade. É durante as eleições, que, oficialmente, o cidadão tem voz, sendo este o momento sublime da democracia.

Assim, ainda que a democracia no Brasil dê sinal de retrocesso e o processo eleitoral seja um modelo esgotado, pois grande parte dos brasileiros não consegue aceitar a política como um bem coletivo e as justificativas para tal são muitas: partidos em excesso e que não representam ninguém, a não ser os interesses de quem os dirige. Além disso, quando chegam ao poder, grande parte dos políticos não pensam no bem comum, mas sim em resolver os seus problemas e do seu grupo. Tudo isso junto e misturado, vão tornando a prática política inócua, desacreditada, fazendo da cena política, um teatro pobre e sinistro.

Mas, ainda assim, a política é o meio de valorização do ser humano, e as eleições são a única maneira disponível para que o cidadão lute e reencontre o respeito, a dignidade e os verdadeiros propósitos por parte de quem ele elegeu.  É também durante o processo eleitoral que as pessoas têm voz para falar dos seus problemas e do seu dia a dia sofrido e desigual.  Por isso, sem dúvida, as eleições municipais tornam os cidadãos mais conscientes, críticos, exigentes, pois eles acreditam que, com as suas participações, suas necessidades cotidianas serão atendidas.

É neste cenário de descrédito político que se desenrolaram as eleições em todos os municípios brasileiros e os resultados  deixaram recados importantes, sinalizando que houve mudanças no que tange a percepção da população em relação ao o que ela quer, ou não quer, da política e dos políticos. Vale lembrar que no país, 25 milhões de brasileiros não foram às urnas, o que representa 17,58% do eleitorado.

Em Ribeirão das Neves não foi diferente. O primeiro recado sinaliza que o cidadão nevense quer mudança no modelo de gestão, para isso acredita no efetivo realinhamento da vida política do município, o que significa dizer, mais investimentos nos serviços essenciais, que venham de fato alavancar o seu desenvolvimento político, econômico e social e, conseqüentemente, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Vale lembrar que o exercício da democracia pelos cidadãos, se concretiza quando existe a proximidade direta da população na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano, aliados aos investimentos em políticas públicas nas áreas de cultura e de lazer.

Outro recado dado diz respeito à ruptura da população, quanto à subserviência aos deputados chamados majoritários e seus agentes de campanha. Esse fato sinaliza que os 160.707 mil eleitores de Ribeirão das Neves rejeitaram os políticos de carreira, que, na maioria das vezes, introduzem na máquina pública, muitos protegidos despreparados e desqualificados, mas que lhes garantem lealdade. Isso cria barreiras tão eficientes que os moradores ao serem blindados, desistem de suas reivindicações. Vale ressaltar que a troca de favores condiciona a construção da cidadania, pois conspira contra o bem-estar coletivo.

Enfim, o número elevado de pessoas que se abstiveram de votar não pode de forma alguma ser ignorado pelos eleitos. Num total de 35.454 eleitores, equivalente a 18,06% dos votos válidos, além dos 29.515 eleitores que preferiram anular o voto. As propostas dos candidatos não convenceram estes cidadãos.

Assim, o professor Juninho Martins (PSC), eleito para a Prefeitura de Ribeirão das Neves, com 68.656 votos, equivalente a 58,49% dos votos válidos, terá que vencer muitos desafios, principalmente em mostrar serviços não só para quem lhe deu voto. Espera-se também a reinvenção por uma cidade melhor e respostas urgentes dos eleitos, às necessidades da população por serviços dignos de saúde, educação, segurança, transporte e mobilidade.  É necessária a busca de investimentos para que o crescimento do município seja impulsionado de fato, melhorando a qualidade de vida da população.

Para isso, espera-se que o prefeito eleito tenha mais diálogo com a sociedade, nos seus diversos setores, seja pela causa dos menos favorecidos e dos de melhor poder econômico. Ele vai gestar para todos.  O verbo agora é escutar. Ele é a ferramenta do político moderno, que aprende com o povo, administra com o povo e, também sabe ouvir os reclames do povo, lembrando que os eleitos devem ter no currículo os princípios humanitários para tratar questões sociais e, principalmente, honestidade para administrar o dinheiro público. Ter, acima de tudo, um olhar à erradicação da pobreza, numa cidade com mais de 300 mil habitantes, fragmentada e sem identidade, mas que tem um povo hospitaleiro e pacífico.

Aos vereadores, cabe legislar com inteligência, fiscalizar com isenção, propor em favor do interesse coletivo, lembrando que o Legislativo Municipal terá uma renovação de 70%. Espera-se que eles tenham mais transparência em suas reivindicações e ações. Mais diálogo com as comunidades que os elegeram. Vereador que só pede emprego no Executivo para apadrinhados pratica uma política viciosa e perversa.

Por fim, a cada eleição, renascem os sonhos e a esperança de mudanças por uma cidade melhor.  A esperança de se ver mudanças na condução da coisa pública, esperança de ver mais seriedade e competência por parte dos eleitos e, principalmente, que eles assumam de verdade o compromisso  com  a coletividade e não com os seus próprios interesses.

Os sonhos são muitos, mas principalmente, o sonho  por uma cidade onde todo mundo possa existir, uma cidade mais cidadã. Portanto, por uma Ribeirão das Neves infinitamente melhor.

 

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