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Maria do Carmo Freitas

O mérito de uma existência digna está na capacidade da pessoa equilibrar as ações do dia a dia, realizando tarefas dentro do tempo e condição e, acima de tudo, criando caminhos éticos que vai repassando de geração a geração.

A pessoa que descreverei a seguir, tem uma vida plena de luz e bons exemplos para com os seus. É uma pessoa cativante, afável, simples e muito comunicativa. Sua vida está pautada na caridade e na fé. Sempre captou o lado positivo das pessoas. Esbanjando tolerância, nada ela censura, nada que é humano a escandaliza. Reparte alegria e a dor guarda pra si.

Nascida em Vila Maravilha (São José da Lapa), 1913, filha de sitiante e de uma dona de casa quitanteira. É a quarta de seis irmãs e a única viva. Estudou até a 3ª série do antigo primário, mas escrevia e lia muito bem. Na vida simples de roceira, teve uma infância feliz junto aos familiares.

Na adolescência tomou gosto pela festas religiosas e passou a militar a fé cristã, pondo em prática os ensinamentos.

Quando jovem, adorava ir  às festas das padroeiras nas cidades de Lagoa Santa e Ribeirão das Neves, mas também gostava de dançar e namorar. Foi em uma dessas festas que ela conheceu o seu marido, José Alexandre de Freitas. Moço que tocava cavaquinho e era pé de valsa. Com ele se casou e viveu por quase 50 anos, tendo tido o casal onze filhos.

Assim, entregue aos cuidados de duas gerações de filhos, nunca trabalhou fora. Nunca teve poder, mas é livre e autêntica. A sua intensa vida social sempre esteve ligada à Igreja Católica, onde participou das seguintes irmandades: Filhas de Maria, Apostolado da Oração e Vicentina.

Mora em Ribeirão das Neves há mais de 60 anos, onde também nasceram todos os filhos. É muito estimada na cidade, cultivando muitas amizades.

Os muitos exemplos que deixa para os 18 netos, 17 bisnetos e 2 tataranetos, inclui a suavidade com que resolvia os problemas que a afligia a si e ao próximo, o que é muito maior do qualquer projeto político. Ela tem uma vida que não evitou turbulências, mas também não se define por elas. Com todos os parentes, filhos, netos, bisnetos e tataranetos ela tem um olhar de carinho. E todos têm uma história engraçada com a avó e bisá.

Agora, mesmo com a saúde frágil, memória  falhando devido a audição completamente comprometida,  a voz continua firme e as mãos não tremem, o comprimento às pessoas ainda se faz presente e ela continua enchendo a nossa vida de doçura e coragem.

Seu nome é Antonieta Antonina Rodrigues, minha estrela-guia.

Hoje, ela completa 99 anos.

Feliz idade. Parabéns, mamãe.

 

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Maria do Carmo Freitas

Homenageio Antonieta, mãe, estrela guia, na minha vida é a primeira.

Falo para as

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Na próxima quinta-feira, dia 19 , o Brasil vai parar para lembrar Elis Regina uma das suas maiores vozes. Foi neste dia que, há 30 anos, Elis partia precocemente, aos 36 anos, no auge da carreira.

Porque soube casar técnica vocal e perfeccionismo impar na música brasileira, conforme atestam os seus discos e espetáculos, além de transmitir emoção e energia, que a tornaram magistral e inesquecível, Elis é considerada pela crítica e pelo público como a maior cantora brasileira de todos os tempos. Foi também a primeira artista sofisticada da MPB a se tornar conhecida através da televisão. Isso é histórico.

Para os fãs matarem a saudade e também para quem não conhece a obra da cantora, a oportunidade é agora. O produtor musical e filho de Elis, João Marcelo Bôscoli, idealizou o projeto “Viva Elis”, que, a partir de abril, percorrerá algumas capitais do Brasil, mostrando a música e a arte da cantora. O pacote comemorativo apresentará um grande acervo com fotos, reportagens, objetos pessoais, entrevistas, ingressos e pôsteres de shows, também um documentário e um livro biográfico de Elis.

Além disso, o projeto trará a cantora Maria Rita, filha de Elis com o pianista César Camargo Mariano, interpretando pela primeira vez só músicas do repertório de sua mãe. A abertura será no dia do aniversário de nascimento de Elis, 17 de março, em São Paulo. Em todas as capitais os shows vão acontecer em locais públicos e com entrada franca. Vale a pena conferir.

ELIS ACERTOU NA ARTE

Elis Regina de Carvalho Costa deixou um legado de técnica e emoção. Era dona de uma inigualável voz, acompanhada de performances de palco perfeitas, além da personalidade forte e única. Tanto que foi batizada de a “Pimentinha”, pelo poeta Vinícius de Moraes. Artista politizada, foi uma mulher a frente do seu tempo. Despertou amor e também ódio. Fez críticas fundadas e exageradas e não poupava colegas de profissão. O exagero foi uma das suas marcas: tanto no comportamento quanto no intelectual. Mas, o exagero da sua arte, foi recheado de grande telento. E, talvez, seja também esse exagero que provocou a sua morte, o erro de cálculo ao misturar cocaina e wisk.

Porém, é relevante lembrar como Elis construiu a sua carreira e o que fez dela a maior interprete da Música Popular Brasileira. Para os especialistas, o domínio técnico da cantora era absoluto, além do gosto afiado e aberto à pesquisa. Elis foi interprete de força, lançadora de novos compositores como Milton Nascimento, Fagner, Belchior, Ivan Lins, João Bosco e tantos mais. Era capaz de ir da alegria a tristeza. É impecável e emocinante a sua interpretação em “Atrás da Porta, de Chico Buarque de Holanda. A música cantada por Elis sempre foi mais que apenas uma canção.        Assim, a personalidade peculiar e coragem fez com ela e não a música, se tornasse uma referência.

A trajetória que começou em Porto Alegre, aos 15 anos, já preconizava um estilo próprio e percepção musical sem copiar ninguém. A consagração veio aos 19 anos, ao vencer o Festival da Música, interpretanto o grande sucesso Arratão, de Vinícuis de Moraes de Edu Lobo, tornando-a a cantora mais bem paga do Brasil.

A partir daí, a carreira de Elis Regina deslanchou e ela se tornou um fenômeno, comparada as divas americanas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald, vislumbando para a MPB que Elis seria “Clássica”.

Por isso, depois de 30 anos sem uma música nova de Elis, sem imagens, ainda assim, ela permanece viva. Continua vendendo discos, despertanto interesse, as pessoas continuam se emocionando com ela, sinalizando que o seu legado é muito importante. E é com justiça que João Marcelo Bôscoli vai enumerando os atributos que fazem da sua mãe a número um da MPB.

“ Timbre, personalidade, afinação,suingue,capacidade de improvisação, interpretação, entrega emocional, escolha de repertório, tudo irretocável. Nem daqui a mil anos haverá outra Elis. É um acidente genético,” garante João Marcelo.

De fato, é difícil, escolher que música Elis deu melhor interpretação. Para cada canção ela dava um dom especial. Como não emocionar ouvindo Como os nossos pais, Gracias a la vida, o Bebado e a Equilibrista , Casa no Campo, Golden Slumbers, dos Beathes, que Elis deu uma interpretação divina.

A visibilidade que Elis Regina ainda tem três décadas após a sua morte, tem-se a impressão que ela recebeu um tributo de permanência, Elis não morreu.

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1º Tempo

Ao completar no dia 12 de dezembro 58 anos de Emancipação Política, Ribeirão das Neves se distância cada vez mais de uma cidadezinha do interior. Hoje, definitivamente, está inserida no mundo globalizado e vive todas as contradições de uma cidade grande, interconectada ao mundo pós-moderno, na qual as referências extrapolam o terreno das nossas vidas.

Ao se conectar ao “mundo mediático”, Neves se integrou a ele e passou a ter também a intermediação dos meios de comunicação, deixando para trás uma realidade que era composta apenas do que estava à nossa volta, pois não havia o intercâmbio e o enorme fluxo de estímulos que caracteriza a sociedade da informação.

Se, em 1953, quando se emancipou, Ribeirão das Neves era um bucólico e romântico lugarejo que abrigava uma Penitenciária Agrícola e tudo girava em torno dela, em 2011 o cenário é outro, é uma grande cidade de concreto. Tem uma população numerosa, que vive todo o stress pós-moderno: trabalhadores que suam a camisa e enfrentam filas de ônibus, nos hospitais e postos de saúde. Que está nas páginas e manchetes dos jornais. Que vive um cotidiano de violência, de tumulto no trânsito, nas calçadas, de política e de pobreza. Além disso, nestes 58 anos, o município traz também a marca de um crescimento desordenado e um atraso econômico e social, o que impõe aos moradores um dia a dia de muitas carências.

A Ribeirão das Neves do século XXI é uma cidade fragmentada e de muitos migrantes e que ainda não têm para com ela o sentimento de “pertencimento”, o que impede o surgimento de uma identidade nas relações sociais entre os moradores. Por outro lado, o alto índice de analfabetismo acarreta pouco envolvimento da população nos movimentos sociais, dando oportunista para que políticos usem a falta de conscientização política dos eleitores, perpetuando a política do coronelismo. Por isso, ao longo de décadas, Ribeirão das Neves convive com indicadores sociais tão injustos, além de apresentar um Índice de Desenvolvimento Humano – IDH – mais baixo do Estado de Minas Gerais, comparado aos municípios do Vale do Jequitinhonha. Politicamente é um curral eleitoral de 152 mil eleitores e, por isso, é extremamente cobiçado por políticos oportunistas e paraquedistas, que invadem o município só em período de eleições, quando fazem promessas mirabolantes aos moradores, mas passadas as eleições, somem.

Porém, é justo afirmar que, nos últimos cinco anos, o município avançou, se comparado as décadas passadas. Setores como saúde, segurança e assistência social chagaram de forma mais tangível à população, melhorando o atendimento e, consequentemente, a qualidade de vida dos moradores. Bairros antigos ganharam cara nova com a chegada de infraestrutura e saneamento básico, serviços básicos que eles não contavam há mais de 30 anos. Mas ainda assim, há muito a conquistar. A cidade precisa de indústrias para alavancar o seu desenvolvimento e melhorar sensivelmente o transporte coletivo, que é precário e desumano.

O anúncio feito pelo Executivo Municipal quando da instalação de novas empresas no  município, alimenta a esperança de mais geração de empregos para a população, o que vai melhorar de forma significativa a qualidade de vida dos seus cidadãos, trazendo de fato, o desenvolvimento econômico e social, mudando a cidade para outra muito melhor: mais justa e solidária.

2º Tempo

Ribeirão das Neves não é mais uma cidade pequena, mas ainda carrega traços de cidade interiorana. E este traço é bem forte nas pessoas que nela nasceram e cresceram. As lembranças da Neves da minha infância é prazerosa e, especialmente, afetiva. Por isso, ousadamente me inspirei no poema do grande poeta Carlos Drummond de Andrade (que este ano completaria 109 anos e tem a sua obra reeditada e revisitada pelos amantes da boa literatura), para escrever uma crônica sobre Neves.

Em Cidadezinha Qualquer, Drummond mostra a mesmice e a simplicidade de uma cidadezinha e usa os elementos semânticos das palavras para mostrar a simplicidade peculiar da vida interiorana isenta de qualquer atividade inédita, mas de uma riqueza palpável, real, sem a imposição da mídia e de uma informação mascarada.

Enfim, o poema Cidadezinha Qualquer pode ser analisado dentro de uma abordagem filosófica. O “eu” que busca a essência ou um caminho e que relativiza o “real” e o “essencial”. Ainda, um olhar que se volta para a cidade natal de forma aparentemente banal, mas que, é na realidade, uma identificação afetiva.

As cidades precisam crescer e se desenvolver. Todos nós cidadãos nevenses queremos isso para Ribeirão das Neves. Porém, a Neves da minha infância é como uma poesia e que não está só nas fotografias em preto e branco colocadas nas paredes das casas ou nos arquivos. A que tenho guardada  na memória, é de uma cidade que não cresceu.


“As cidades não deveriam crescer. Assim, seríamos sempre crianças, mesmo adultos”.

Frei Beto.

 

Minha cidade

Se Neves não tivesse crescido, eu, ainda, hoje, brincaria nos ciprestes do largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves, no frio mês de maio, nos ensaios para coroar Maria. E, nos domingos, assistiria ao catecismo de dona Santinha. A volta para casa seria sem pressa, sem nenhuma mãe para vigiar, porque as casas eram tão perto e tão poucas e a dona rezadeira era conhecida de todos os pais. Ela dominava a arte de conduzir os meninos e meninas para as coisas de Deus, da fé e da religiosidade, que mais tarde se transformariam em valores morais e éticos.

Se Neves fosse ainda pequena como a conheci, as casas só teriam tramelas destrancadas. Portas e janelas cochilariam encostadas. Ao final de tarde, os bancos nas calçadas, trariam homens, mulheres e crianças para embalar o por do sol. Enquanto os pais ponham a conversa em dia, as crianças brincavam de roda e de esconde-esconde.Todas as manhãs acordaríamos com o cantar dos pássaros e, a seguir, as vozes do leiteiro e do entregador de pão, fariam-nos pular da cama.

Se Neves não tivesse crescido, as mercearias seriam ainda um templo solene do pão de cada dia. Em uma delas estaria Zé Miúdo, que sem pressa, tiraria o lápis atravessado na orelha e anotava tudo numa caderneta. Ali estava um mosaico, sacos de feijão, arroz, farinha, utensílios, lingüiças penduradas, queijos e doces, e, ele, sabia onde ficava cada coisa. A anotação no papel, como uma ladainha, substituía o dinheiro. 

Minha cidade exalava um cheiro de mato. As casas surgiam a partir de uma rua e de uma praça. Por entre as pernas delas corriam um Ribeirão sem poluição. De lá os tico-ticos anunciavam o raiar do dia. Aos poucos, a porta da escola se abria para o alvoroço de meninos de calças curtas e meninas de saias azuis pregueadas. Após a aula, a queimada, o rouba bandeira, a bola de meia e a bola de gude impediam a volta para casa. Quando chovia, a criançada de sapato na mão cavalgava nas enxurradas, que corriam pelas ruas sem asfalto.

Se Neves não tivesse crescido, ir ao Cacique na casa do meu tio Jaime, seria infinitamente longe. Na esquina da minha rua ainda teria a casa de João Grande, que mantinha cães bravos na porta da casa, me impedindo de levar café para o meu pai na barbearia. Belaco, Tariba, Bandeira e Mudinho ainda estariam povoando a minha cidade, fazendo graça ou provocando medo, eu tinha. As comadres e compadres encontrariam pelas ruas para contar causos e falar das levadezas dos filhos. Minha mãe ainda receberia a rapadura do compadre Nonô Carlos.

Minha cidade tinha um bairro que era um jardim. As flores e os ciprestes nas portas das casas deslumbravam todos os moradores, visitantes e pássaros. Os beija-flores faziam festa num bailar sensual. As palmeiras imperiais ornamentavam a entrada de um presídio, num tempo em que a polícia só zelava pelo sono tranqüilo de todos. Avenidas não existiam. De vez enquanto passava um automóvel. Todo mundo conhecia todo mundo, ao menos de vista. E, o filho de fulano valia, currículo não existia, bastava o sobrenome.

Se a minha cidade fosse ainda pequena, as Aldinhas, as Marlis, as Ilkas, as Elizabetes, os Otos, os Manuéis e os Jacis estariam ditando números para nos fazer concentrar ou declamando versos para  nos fazer pensar, mas com o objetivo de fazer daqueles adolescentes, pessoas de bem.

Se Neves não tivesse crescido, seria um RIBEIRANDO SEMPRE, fazendo as Marias, os Josés, os Joãos, os Carlos, as Terezas, os Antônios, as Helenas, as Tânias ... mais felizes, pois o Ribeirão que está dentro de nós faz parte da nossa história e da identidade que queremos resgatar.

Mas minha cidade cresceu. Eu também cresci. Porém, o meu olhar me ensinou o caminho para voltar à minha cidade de verdade e matar a saudade. Assim, prazerosamente, escondo-me na memória, dela vislumbro e brinco de menina na cidade que não mudou.

 

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A denúncia de corrupção no Programa Segundo Tempo, criado para incentivar a prática de esporte entre crianças e adolescentes, provocou a saída do Ministro do Esporte Orlando Silva e colocou no epicentro do escândalo as Organizações Não Governamentais (ONGS).

O escândalo que sinaliza mais uma história de desvios de dinheiro público com ONGS fantasmas ou criadas só como de fachada, põe em cheque-mate a credibilidade dessas entidades, contratadas através de convênios e sem necessidade de licitação.

Aceitas pela Legislação como entidades sem fins lucrativos, essas organizações não passam por fiscalização tributária, escapando da escrita regular e dos rigores da contabilidade. São fáceis de serem criadas e registradas Além disso, não passam por auditorias para a execução de programas mantidos com verbas públicas e nem se exigem delas prestação de contas de que realmente o dinheiro recebido teve destinação correta.

Outro agravante, as ONGS que executam programas federais, não se submetem à fiscalização do Tribunal de Contas da União ( TCU), como ocorre com os ministérios e autarquias. Assim, fica fácil fraudar os cofres públicos: falta fiscalização sobre os montantes milionários movimentados pelas ONGs para os seus “projetos sociais”. E, é por isso que elas se tornaram o mais fácil dos ralos por onde escoa o dinheiro público. A maioria não faz prestação de contas a qualquer autoridade, nem aquelas que lhes repassaram as verbas públicas.

Esse é um dos motivos que, por trás dos escândalos que já derrubaram cinco ministros do atual governo, há sempre uma ONG. A atuação tentadora dessas organizações vem somando falhas inaceitáveis nos Sistemas de Controle e Fiscalização do Governo Federal nos últimos anos. Por isso, é difícil saber quantas e quais ONGs recebem verbas federais. Vale lembrar também que muitas dessas entidades são criadas às vésperas da assinatura dos convênios. Segundo o TCU, a esses convênios, projetos e contratos são creditados bilhões de reais.

De acordo com dados, de 2004 a 2010, entidades sem fins lucrativos receberam R$23,3 bilhões do Governo Federal, registrando no período, um aumento de 180% no repasse de verbas. Dessa forma, fica fácil constatar que esse desfalque rotineiro e gigantesca mancha não apenas o governo Federal, mas também as administrações estaduais e municipais. Além disso, essas entidades se transformaram em ferramenta fácil para alimentar o cofre de políticos e partidos.

Entretanto, é preciso distinguir as ONGs sérias e que dão destinação correta à verba recebida. È o caso da Fundação Butantan, responsável pela fabricação de vacinas e imunizações utilizadas pela rede pública de saúde em todo o Brasil e que salva vidas. Porém, boa parte do bolo se perde em milhões de convênios firmados com ONGs e governos sem nenhuma fiscalização sobre a aplicação e retorno da verba investida. É de praxe a verba sair de Brasília com o objetivo de ajuda ao próximo em projetos para conscientização da cidadania e volta quase toda para o caixa dois de partidos, que descaradamente vai financiar candidaturas em todo o país. E isso não é monopólio de um só partido.

Além de tudo, tem-se a constatação da podridão do Sistema político, com partidos que se diziam guardiões da moralidade pública, agora enfiados na lama por custear suas ambições e ainda serem condescendentes com governantes com práticas escusas.

Mas, mesmo não existindo uma plataforma política nem ideológica para substituir o modelo do PT, instaurado por Lula em 2003, aparecendo só críticas genéricas e isoladas à corrupção e ao aparelhamento do Estado, males sistêmicos a todos os partidos do Brasil, o desgaste do governo não é aparente. Existe uma crise.

A devassa no Ministério do Esporte, anunciada pela presidente, mostra a importância da pasta. Mas, acima de tudo, que a farra das ONGs é real e precisa de um basta. Realizar com urgência, um pente-fino nos convênios, é fazer justiça para com as entidades sérias, que não podem ser colocadas no mesmo balaio.

Ao cidadão, contribuinte honesto, cabe acompanhar a evolução da denúncia e cobrar mais transparência nas ações dessas entidades. O certo, porém, é que não pode ficar sem punição os que lucram sob a proteção de “manobras sem fins lucrativos”.

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“Quando professores cruzam os braços
em reivindicações legítimas estão dando lições de cidadania.”

A  epígrafe acima define bem a grave dos professores estaduais de Minas Gerais, que completa hoje 108 dias, fazendo do  movimento o  mais longo da  história da categoria.

O impasse tem desgastado tanto Governo, Sindicato e professores. Mas, pela desinformação dos  pais e descaso da sociedade, a imagem do professor é que fica denegrida. Entretanto, eles só querem mais  dignidade profissional, o que passa obviamente pelo salário.

No último dia 17 de setembro, o Tribunal de Justiça de Minas (TJMG) decretou a ilegalidade da greve, alegando que os alunos podem perder o ano letivo. Do outro lado, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUTE) afirma que não é a primeira vez que o Estado tenta tirar o direito de greve da categoria e, por isso, o movimento não será suspenso, pois o mesmo é legítimo. Segundo o sindicato, o Estado ignorou o tempo de serviço e o nível de escolaridade do professor na aplicação do piso. Porém, o governo insiste no uso do Subsídio editado pela Lei 18.195 de 2010, que transformou a remuneração( o básico mais benefícios) do professor em subsídio único. Para os mestres a incorporação de acréscimos, gratificações e outras vantagens no piso, não passa de  “golpe de caneta”.

De acordo com o artigo 39 §4, da Constituição Federal, subsídio é uma forma de remuneração de membros do poder, detentores de mandatos eletivos, ministros de Estados e Secretários estaduais e municipais. Todos os outros funcionários públicos, inclusive o professor, recebem vencimentos e, se aposentados, proventos. Assim, subsídio não é piso salarial como quer o governo. Vale lembrar que se fosse adotado o conceito de vencimento básico para definição do piso salarial no Estado, como determina o STF, os reajustes anuais do piso incidiriam também sobre as vantagens, de forma que o valor pago de R$1.122,00, para um ajornada de 24 horas, como afirma o governo, seria superior a este valor. O raciocinio que se faz então, é que a remuneração por subsídio, é na verdade, o congelamento do salário, o que é desrespeitoso para com os professores, que recebem salários muito aquém da importância da atividade excercida. No entanto, o Estado só quer deixar como certa perante a opinião pública,  a sua posição, desqualificando uma categoria que há décadas luta por melhores condições de trabalho e salário digno.

Todo bom trabalho requer reconhecimento e, especificamente, com salários compatíveis à qualidade. Mas o professor é hoje um “metralhador de aulas”. Isso para  sobreviver  com o básico. Assumir três horários como a maioria faz, é desumano. Além disso, ele tem que conviver com a violência gritante dentro da escola e a omissão dos pais.

Mas, vale ressaltar que uma greve na qual os trabalhadores se unem para reivindicar seus interesses e para tal deixam de desempenhar suas tarefas, numa tentativa de mostrar a importância da profissão que exercem, é legitíma e justa .Toda greve é um ato político. E esta poderia ter um potencial pedagógico, recuperando a importância dos movimentos sociais, que surgiram como alternativa nos anos 1970 e, que ainda hoje parece ter uma boa parte de política social. Ainda que alguns sindicatos buscam resultados e corporativismo alienante. O SindUTE, até o momento, está sendo coerente e firme nas reivindicações da categoria, sem fazer política partidária. Por outro lado, o governo está perdendo potencial político e educativo, quando, em vez de negociar através do debate, se desloca para a imprensa por meio de comunicados eticamente incorretos, pois se percebe a parcialidade. Além disso, o tempo que o governo faz a sua defesa é muito maior que a do sindicato. A distorção da realidade coloca o movimento junto a opinião pública de forma irresponsável, apresentando os professores como um bando de baderneiros, que tumultuam o trânsito, atrapalhando a vida das pessoas.
O certo porém, é que o governador não concede entrevista para não agravar o desgaste. Mas o cidadão percebe que por trás das decisões técnicas como quer transparecer o governo, está o ato político, mostrando o jogo de quem pode mais. A forma como os professores estão sendo tratados não deixa de ser vergonhoso para um Estado que hoje é governado por um professor. Um governo que em vez de promover o debate com defensores interessados na melhoria da qualidade de ensino, prefere a intimidação e a truculência nada civilizada.

Mas é preciso lembrar que em 2009, o Tribunal de Contas do Estado apontou através de relatório, que Estodo de Minas Gerais não gastou em educação, o percentual mínimo ( 25%) da receita disponível dos impostos, determinados pela Constituição Federal ( artigo 212). Além disso, segundo dados divulgados pela Secretaria de Planejamento e Gestão, em maio de 2010, 59% dos servidores em educação tinham remuneração de R$935,00. A greve poderia, então, propiciar o momento de se avaliar que os professores exercem função relevante e repensar a importância da sua carreira e que eles devem receber valores compatíveis ao do governador, ao de um juíz .... Assim, vale lembrar o que disse Frei Beto: “ O homem não pode ser coisificado, não pode ser um meio para a construção de um Estado poderoso e mesquinho.

Falta investimento

A greve dos professores estaduais de Minas Gerais escancara o descanso de como é tratada  há décadas, a Educação no Brasil. O Estado brasileiro afirma que o acesso à educação é um direito universal e  investe nessa teoria através do crescimento de número de escolas e de professores. Mas na prática, o que de fato acontece, é que há decadas, o país pouco investiu na qualidade de ensino, ou seja, nos métodos eficazes e também na preparação humanística dos professores, bem como salários compatíveis à profissão. Por isso, não tem como não pensar a Educação do Brasil, como um ritual de exclusão. Um ensino adestrador, que privilegia a técnica e desprestigia o saber.

Se o ensino está falido a culpa não é só do professor. A deficiência dos cursos universitários de formação de professores e de pedagogia tem editado uma perversa fórmula para a falta de qualidade na Educação Básica Brasileira , isso aliado a inadequada política remuneratória do poder público, que provoca o baixo status social dos mestres e outros fatores importantes que têm contribuido para a falência do ensino. É preciso que as autoridades conheçam a realidade de uma sala de aula e os graves problemas enfrentados no dia a dia pelos professores. A filosofa Vivane Mazé afirmou que a Educação no Brasil não tem como ser transformada, tamanho o estrago que foi feito. Ela deve sim, ser recriada, começar do zero.

 

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A cantora Amy Winehouse, morta no dia 23 de julho, aos 27 anos, não foi apenas uma artista estupidamente talentosa ou ainda mais uma vítima das drogas. Ela também foi vítima de um ideal transgressor, que contestou a ordem vigente do mundo pós-moderno.

Segundo o escritor francês Gui Debord, o homem pós-moderno está à beira do desespero. Ele é um ser inserido num contexto problemático, entregando-se a duas vertentes: o prazer e o consumo.

E foi neste palco da pós-modernidade, onde as informações do dia a dia se explodem até a saturação, que nasceu Amy Winehouse. Numa sociedade que favoreceu o “hedonismo socializado” pela Mídia, que refaz o mundo à sua maneira, criando uma falsa imagem que algo invisível pode ser possível na televisão. Os valores foram trocados pelos ritmos cotidianos. A vida social é marcada por experimentos, mas também está associada à decadência das grandes ideias e valores. Porém, vívi-se a “sociedade espetáculo,” como afirmou Debord.

Por onde Amy passava, o tempo todo havia assédio dos paparazzi e as pessoas atiravam coisas, ofereciam-lhe bebidas como a imitá-la e a experimentar o prazer por meio dela. Dessa forma,  ela manteve uma mistura de amor e ódio com o público. Amy, como Billie Holiday e Janis Joblin tinha uma elevada comunicação com o púbico com quem abria o coração, mas também tinha medo dele e mais ainda da banalidade da vida diária

Por isso, Amy assumiu viver conforme o ideal romântico, que caracterizou jovens poetas na segunda metade do século XIX. Em entrevista a revista ÉPOCA, a escritora americana Camillie Paglia, disse que Amy pertence a uma tradição de “grandes, mas autodestritivas” cantoras modernas, que buscaram inspiração em sua dor e em seus caos internos como Billie e Joblin. Do processo autodestritivo vivido, ela expremia um pessimismo doentio, uma descrença generalizada e empregnada de tristeza e desilusão.  O ser marginal e rebelde, ela explorou ao máximo, guiando-se apenas pela emoção. Além disso, foi consumida por suas próprias ideias, entregando-se aos próprios fantasmas para  não se submeter às regras sociais que regem as vidas das pessoas comuns. Com isso, travou uma luta contra a angústia de se tornar apenas mais “um.”  Por livre-árbitrio, se entregou às drogas e ao álcool, que a entorpeciam em constantes fugas da realidade. E foi vivendo esse ideal de fuga e rebeldia que Amy encontrou a morte.

Mas, a morte de Amy Winehouse, trouxe de volta a pergunta: Seria a música capaz de induzir pessoas talentosas a ter um comportamento destrutivo? Segundo estudiosos no assunto, ainda não se tem resposta. O certo é que Billie, Hendrix, Joblin e Amy se entorpeceram de drogas e álcool, criando o mito de artistas autodestrutivo. Porém, o que se sabe de fato, é que o glamour que costuma cercar essas personagens, camufla a terrível realidade do convívio diário com as drogas e suas consequências e, que no mundo pós-moderno, é explorado pelo olho biônico da Mídia. O declínio, recheado por vexames públicos e tentativas frustadas de recuperação, foram mostradas exaustivamente pela internet, pela televisão, o público também acompanhava tudo com muito interesse, numa crua constatação que a Mídia decretou o fim do segredo e da intimidade.

Contudo, se a Mídia massacrou esse artistas expondo ao máximo a suas vidas, ela também os consagrou. No caso de Amy, público e Mídia sinalizaram que a sua voz marcou a 1ª década do século XXI.O timbre rouco que lembrava as grandes divas negras americanas, como Sarah Vanghan e Aretha Francklin, influenciou a música de seu tempo, de forma definitiva.

Para a critica musical, somente Billie Holiday cantava com tamanha intensidade. Além disso, ela reabilitou a arte vocal na música pop e no revival do gênero soul. O maravilhoso álbum Back to back vendeu 10 milhões de cópias. Por isso, o seu legado musical é maior que o seu personagem transgressor, de olhar melâncolico e perdido dela mesma.

O certo porém, é que, embora Amy tenha preferido cantar e viver o passado, virando pelo avesso a peculiar inovação, o visual exôtico de mistura diversifica, criou um ícone de estilo. Como esquecer o seu cabelo inspirado nas divas dos anos 1950/60, o delineador marcante e as roupas modernas? Como lembrou Camillie Paglia, Amy representou a queda do herói romântico, mas o final trágico do transgressor faz parte, sem dúvida, do espetáculo,  da  pós-modernidade.

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