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Maria do Carmo Freitas

Quando se aproximava o mês de agosto, em Ribeirão das Neves, a expectativa dos moradores era de como seria a “Festa de Agosto”. Quando ela acontecia, a sensação que se tinha era que aqueles dias que movimentavam a cidade não deveriam acabar, pois um ano demorava a passar e os acontecimentos que modificavam o cotidiano de uma Neves tão pacata, trazendo religiosidade e alegria, era tudo de bom.

Isso num passado não muito distante. A cidade era pequena e nada acontecia a não ser a tradicional Festa de Nossa Senhora das Neves. Tempo em que os católicos nevenses transbordavam de religiosidade e fé para celebrar a padroeira. A preparação tornara-se tradição, passando de geração a geração. Era o respeito da sociedade e do poder público à fé católica.

Durante a festa, a face da cidade e de sua gente ganhava fisionomia e dimensões que não eram só de um município que abrigava uma grande penitenciária. O importante era se contagiar da alegria e dos ares festivos que embelezam a cidade e as pessoas. Então, Neves se enchia de pura poesia, tudo refletia mais intensamente, o vento, o sol, as luzes, as cores e os olhares dos moradores.  Além disso, a alegria de festejar Nossa Senhora das Neves, contagiava os moradores de municípios vizinhos, que, em romaria, vinham prestigiar as solenidades, enchendo a igreja, a praça, a avenida e ruas. E, surpreendentemente, aquele jeito tranquilo de viver nas ruas calmas e sem barulho, no dia 5 de agosto, mudava. E a grande novidade, eram os camelôs que faziam a alegria da criançada, além de um parque de diversão e um circo de tourada. O grande barato era curtir a festa o dia inteiro. E assim, Ribeirão das Neves se transformava em uma grande confraternização eucarística e social, num tempo em que o medo de assalto não existia, pois o ir e vir eram seguros e sem policiamento; as portas dormiam destrancadas!

Para mostrar a importância da festa, os moradores pintavam suas casas e, na família, todos ganhavam roupas novas para ir à missa. Tudo tão simples. O que importava era a fé, simbolizada no levantamento de Mastro de Nossa Senhora das Neves, que culminava com o show de fogos pirotécnicos, a missa solene e a procissão.  A parte social acontecia na barraca em volta da igreja, onde as regras de convivência eram sempre respeitadas. O festeiro promovia um leilão, um baile e, sempre no dia 5, oferecia um almoço para os moradores.

Na década de 1980, a cidade ganha muitos novos moradores e tudo começa a mudar. A tradição religiosa vai mudando na sua essência. Mesmo ganhando o glamour do poder público, a Festa de Nossa Senhora das Neves vai se descaracterizando, Ribeirão das Neves ganha ares de cidade grande, misturando religiosidade e comércio. A inovação introduz shows de artistas famosos e numerosas barracas de alimentação e de bebidas, armadas na Rua Ari Teixeira da Costa. Cresce a participação dos bairros nos ritos religiosos. A festa continuava, ela só tinha sucumbido aos tempos modernos também impostos à cidade. Neste momento, a tradição permitiu eliminar o que não era mais sustentável e incorporou novas ações. A festa florescia em versões diferentes e era uma tradição ressurgente na sua forma. Ela tinha que se adequar ao tempo, a interferência dos meios de comunicação, ao consumo exibicionista e tudo mais que o poder político podia oferecer para também tirar proveito. Mas, em meio ao mundo em descontrole, a festa tinha apoio suficiente e a tradição da fé, sustentação.

Nos anos 90, a modernidade bate firme à porta da festa e as mudanças ocorrem também na igreja. Comissões litúrgicas e sociais dão novo tom às comemorações, substituindo a pessoa do festeiro. Mas, os moradores continuavam a esperar o dia da festa e participavam ainda com entusiamo das solenidades religiosas, mantendo a tradição maior do município. O baile de agosto ficava por conta de uma comissão social, que também  promovia outros eventos em prol de Nossa Senhora das Neves.

Porém, nos últimos 9 anos, a insegurança das pessoas por causa da violência, a Festa de Agosto perdeu muito do brilho de outrora, dando-nos a sensação que a festa da padroeira cada vez mais seria só lembranças em  fotografias. Outro agravante foi o pouco envolvimento do poder municipal com a tradição maior do município - vale lembrar que a história de Neves (incluindo a força da Festa de Nossa Padroeira), é maior que as facções político-religiosos que aqui venham e se estabeleçam.

É certo que Neves vive o fenômeno da mundialização e as estruturas da tradição foram se tornando cada vez mais complexas e novas faces foram por elas incorporadas, mas, ainda assim, faltou apoio do poder público para que as festas tradicionais do município se fortalecessem, adequando-se às situações e intempéries. Segundo pesquisador Fábio Braoios, a construção da tradição é fruto direto da capacidade humana de selecionar e acumular experiências positivas e ensiná-las aos seus semelhantes. Isso porque o homem,diante de outros animais, é capaz de criar uma identidade. Assim, a tradição é resultado das diversas ações individuais aceitas e reproduzidas pelo meio humano. Ainda segundo Fábio, o homem com uma imagem equivocada da tradição, nega-a como suporte para as suas contribuições. Porém, não se pode negar a herança da tradição. Ela mesma nos fornece munição para alvejarmos o que de errado verificamos no status quo. Por isso, é vital que o município invista em suas tradições e costumes. A renovação da tradição depende das gerações futuras, mas se não há investimento real, ela corre o risco de morrer, pois sem herança, o jovem perde o vínculo às suas tradições e raízes. Ribeirão das Neves é hoje uma cidade sem identidade, massificada e sem investimento de fato na cultura e na memória da cidade. O que se tem são poucas fotografias em preto e branco. Os espaços públicos não são de fato ocupados, pois a violência intimida os moradores, mas como lembra a música, o povo precisa de lazer e não só de comida. Vale lembrar que o município tem um batalhão de Polícia Militar que pode garantir a ordem e a segurança  em todos os eventos, acostumando a população ao convívio sadio.

Vale lembrar ainda que as tradições são necessárias e persistirão sempre, porque dão continuidade e forma à vida. Isto através do ritual, do cerimonial e da repetição. A tradição tem um importante papel social, algo compreendido e posto em prática pela maioria das organizações, inclusive os governos. Assim pode-se vislumbrar a festa do Sírio de Nazaré, em Belém do Pará, a Festa de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, a Festa do Senhor do Bonfim, em Salvador e tantas outras pelo Brasil a fora. Pode-se ainda apreciar os lugares tradicionais de Belo Horizonte como o arco do viaduto de Santa Tereza, a Rua da Bahia e suas histórias, o Café Nice, o acervo arquitetônico da Pampulha e a própria mineiridade, tão singular. Todas essas festas e lugares nos fazem refletir sobre a nossa “ festa de agosto”. Ela nos faz esquecer que não temos só penitenciárias, que geram dinheiro e poder para quem as constroem, mas, principalmente, que as tradições estão na alma do povo e, repetindo o que disse o poeta, em Ribeirão das Neves, vive um povo que merece mais respeito.

O certo é que a festa remete aos nevenses um passado de boas recordações para com a tradição à Nossa Senhora das Neves. O que nós faz ter também esperança . Quem sabe a chegada de uma nova administração municipal trará bons ventos e mais investimentos à memória e as tradições do município, pois um povo sem história é um povo sem identidade. Contudo, ainda há tempo de se resgatar o que ficou perdido, e esta empreitada tem de ser de todos  nós cidadãos comprometidos em reinventar uma cidade infinitamente melhor para se viver.

Vale ressaltar ainda que a Praça Matriz de Nossa Senhora das Neves, outrora emblemática para os nevenses, hoje virou Praça Central, onde está tudo junto e misturando, comércio, cultos evangélicos e missas com portas fechadas. A culpa recai na modernidade, que permite misturar ritos eucarísticos com barulhos ensurdecedores, obrigando os fiéis fazerem da Praça Nossa Senhora das Neves, um espaço só de passagem. A inversão de valores nos mostra o que vale mais.

 

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Maria do Carmo Freitas

Ainda que o Natal hoje não tenha mais a calma, a simplicidade, o afeto familiar, o respeito e o

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Faltam apenas alguns dias para você cidadão de Ribeirão das Neves exercer a autoridade do voto. A autoridade do voto exercida por você na cabine, o faz um comandante único e soberano. Ali, naquele momento, você é muito importante, e, ao votar estará fazendo o seu julgamento. A sua liberdade nessa hora é maior e mais importante que qualquer tribunal.

O voto é direito sagrado do cidadão. É o exercício pleno da cidadania. E é por meio do voto que vamos avaliar no próximo domingo, os candidatos a prefeitos e vereadores. Cargos públicos importantes que pode mudar o dia a dia da cidade e, consequentemente, a nossa vida. Para tanto, é preciso saber das propostas dos candidatos, da atuação profissional deles anterior à candidatura, avaliar a sua ficha técnica, a sua ligação com a sua comunidade, enfim, reconhecer quem é competente para iniciar um processo de gestão eficiente, capaz  de traduzir em melhores serviços à população.

Assim, é preciso, mesmo na reta final do processo eleitoral, da sua participação e, acima de tudo, da sua consciência responsável sobre a importância do voto. Ainda dá tempo de pesquisar, avaliar e escolher candidatos mais engajados na luta pela solução dos problemas da nossa Ribeirão das Neves. A sua escolha pode fazer a diferença para transformar o município numa cidade mais justa e ética.

A Lei da Ficha Limpa é, neste momento, um alerta cívico, sinalizando que o mal maior não está na candidatura dos corruptos, mas na eleição deles. O certo, porém, é que diante de conhecimentos de atos de corrupção, com ou sem processo, com ou sem Ficha Limpa, você eleitor, é o juiz.

Vale então lembrar que Ribeirão das Neves será a partir de 1º de janeiro de 2013, o resultado das urnas. Para melhor ou para pior. Por isso, não dê seu voto a corruptos e oportunistas. Não se deixe enganar pela propaganda eleitoral mascarada, que desconstrói candidatos e não propoẽ nada de concreto para a cidade.

Lembre-se, a Lei não muda a natureza das coisas. São as pessoas, com suas condutas, que mudam a realidade.

 

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"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos..." ( Bertolt Brecht)

As eleições de 7 de outubro nos remete a Bertolt Brecht, genial poeta alemão, que defendia os oprimidos, combatia com firmeza a passividade do cidadão e defendia a formação do senso crítico, sem alienação e cabresto. O seu legado ganha dimensão maior durante a campanha eleitoral, quando é fundamental participar para votar com consciência. Além disso, é impossível ignorar que todos os aspectos de nossa existência, do primeiro respiro ao último suspiro, tem a ver com política. Em tudo há política. Para o bem ou para o mal.

Nesse momento, é preciso então identificar políticos comprometidos, ainda que esta campanha venha se configurando como uma das mais inexpressivas da história da cidade. Faltam propostas consistentes e não dá para saber o que cada um dos candidatos propõe, objetivamente, para o município. Mas, para que Ribeirão das Neves possa trilhar o caminho da justiça social, da dignidade, transparência e modernidade, é preciso que os mais 170 mil eleitores nevenses participem do processo eleitoral, lembrando que o voto é o fórum privilegiado capaz de corrigir equívocos e realinhar os caminhos de uma política que, em todo país, caiu num descrédito sem tamanho.

Portanto, eleitor, não se deixe enganar apenas por palavras, consulte a ficha de seu candidato, veja o que já fez (e o que faz), analise suas propostas, cheque também sua coerência histórica, verifique se seus atos refletem suas palavras. Escolha um candidato mais próximo de você, aquele a quem você vai ter acesso para cobrar as promessas de campanha. Pesquise se ele(a) já teve algum cargo público. Vale lembrar que o voto consciente é baseado em informação de qualidade, o que representa uma espécie de pacto entre a sociedade e o candidato. É importante também avaliar se as propostas apresentadas pelo candidato nas diversas áreas são interligadas suficiente para que possam ser consideradas de governo e não ações isoladas. Outro fator preponderante é a transparência. Ela é a condição fundamental para que a sociedade possa acompanhar os processos administrativos. Vários municípios já contam com portais na internet, onde todos cidadãos podem acompanhar, inclusive as compras públicas em tempo real.

Por isso, para que das urnas de outubro nasçam gestores inovadores na forma de prestar serviços públicos, contratar mão de obra, capacitar servidores, estabelecer metas de serviço apoiadas em indicadores objetivos, combatendo a ineficiência, morosidade e falta de comprometimento materializados em serviços públicos deficientes à população, é preciso saber votar. Além de tudo, há um grande desafio a ser proposto aos candidatos que serão eleitos em outubro, no Executivo e Legislativo: melhorar a cidade e, consequentemente, a vida do cidadão.

Este modelo político brasileiro que se fundamenta no fisiologismo, que possibilita e estimula a troca de favores entre políticos e partidos, comprometendo a credibilidade, a governabilidade e o desenvolvimento do Brasil, de Estados e Municípios, tem sido desastroso para o país, há décadas. Mas, lembrando novamente Brecht, o povo tem força quando se mobiliza e faz valer a sua vontade. A Lei da Ficha Limpa é resultado da vontade popular.

Dessa forma, se você cidadão, espera que seu candidato faça uma gestão comprometida com a eficiência, a ética, a prestação de contas e a responsabilidade social, não fique indiferente ao processo eleitoral, "ficar indiferente é uma forma de passar cheque em branco, assinado e de valor ilimitado, a quem governa", lembrou Frei Beto.

Lembre-se, portanto, que, nessas eleições, Ribeirão das Neves pode se reinventar através das urnas , salientando que as instituições públicas não têm vida própria. São movidas por políticos e pessoas indicadas por eles. E todos são funcionários públicos, começando pelo presidente da República, todos são nossos empregados. A nós devem prestar contas. Temos o direito de cobrar, exigir, pressionar, reivindicar, e eles o dever de comprovar como respondem às nossas expectativas.

 

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Se a eleição em Belo Horizonte virou atração nacional pelo tom político muito forte, sinalizando uma distribuição de forças que deverá ocorrer em 2014, em Ribeirão das Neves a eleição ainda não chamou a atenção do eleitor. Até o momento, somente uma candidata apresentou proposta de governo e faz barulho pelas ruas da cidade, os demais, pelo visto, a movimentação acontece só nos comitês ou através de uma tímida caminhada para o trabalho de corpo a corpo.

A dois meses da votação, o eleitor, com certeza, espera mais, principalmente das principais concorrentes, que precisam mostrar coerência nas propostas de governo. Vale lembrar que a decepção do cidadão é como descer uma ladeira íngreme ou precipício, quando o assunto é a qualidade das nossas representações políticas.

Assim, neste momento, cabe ao eleitor fazer uma pergunta: Por que nenhum candidato antecipou compromissos e programas que o levassem a pretender ser avaliado e eleito? Não é difícil encontrar razões para tal. Basta avaliar as últimas convenções partidárias para escolha dos candidatos a prefeitos e vereadores nas cidades do país. Elas deram exemplos da absoluta falência de representatividade exercida pelos partidos políticos e seus filiados. Não se pode esquecer as alianças construídas para a formação de chapas, apoios, e, essencialmente, os projetos de marketing eleitoral. Além disso, as alianças sepultam a base ideológica dos partidos, as discussões passaram a se orientar pelo loteamento de cargas, pelos valores de orçamento manobrados, etc. Lembrando também que a pasteurização da política faz com que ela perca, a cada eleição, a sua natureza de mobilização popular. Agora, o negócio é administrado por marqueteiros e lideranças partidárias. As “costuras” são feitas por cima. A militância é substituída por cabos eleitorais remunerados. Os acordos são fechados tendo em vista fatias do poder. Dessa forma, os princípios ideológicos são deixados de lado e os programas de governo e metas administrativas são meros instrumentos eleitoreiros.

Além de tudo, o que menos importa é o eleitor. A ciência do marketing sabe manipulá-lo. Do mesmo modo, os candidatos são treinados, orientados e produzidos para ocultar o que realmente pensam e planejam. O importante é o teatro, é representar bem o papel e agradar o mercado eleitoral. Tudo isso se aplica também a Ribeirão das Neves.

Entretanto, resta saber o que esta eleição poderá trazer para o município. Os problemas da cidade são muitos e, com certeza, preocupam mais o cidadão do que qualquer “aliança”. Por enquanto, o eleitor de Ribeirão das Neves quer saber se as ruas têm asfalto de qualidade, se o posto médico funciona com eficiência, se há empregos, se a violência vai diminuir. Se há escolas, se pais, professores e alunos estão satisfeitos com o ensino aplicado. Se problemas urgentes como a duplicação da LMG 806 e o transporte coletivo caótico, que serve a grande massa de trabalhadores, serão solucionados. Enfim, o cidadão quer saber se a vida em Ribeirão das Neves tem chance de ter mais qualidade.

Portanto, eleitor, é preciso gastar seu tempo para fazer análises mais apurada dos candidatos. Avaliar currículos e se o engajamento junto às comunidades tem coerência. Se as propostas têm condições de serem colocadas em prática. Lembre-se, tanto o cargo de prefeito como o de vereador é um chamariz para oportunistas, picaretas e para os paraquedistas de plantão, que aparecem no município só no período eleitoral. Eles, os paraquedistas não têm nenhum vínculo anterior com a cidade que venha legitimar a candidatura. Vale lembrar que Ribeirão das Neves é um curral eleitoral invejável. São mais de 150 mil eleitores. Muitos candidatos usam o município como trampolim político.

Avalie. Muitos candidatos já tiveram a oportunidade de fazer alguma coisa em outros momentos. Fizeram, quando podiam e deviam? Pergunte, então, antes de votar, se é possível acreditar no que farão. Fuja dos discursos de campanha, vazios e rasteiros. Não se deixe levar pelas meias-verdades ou pelas mentiras repetidas várias vezes. A decisão do voto precisa ser mais que em outras situações, muito analisada e balizada. Vale ressaltar que a eleição é algo raro e valioso. No momento de votar, todos os cidadãos são absolutamente iguais, não há diferença social, de raça e de credo.

Entretanto, é bom lembrar que qualquer cidadão pode escolher bem ou mal. Daí a necessidade da participação no processo eleitoral, lembrando ainda que os partidos são meros acampamentos de interesses.  O importante então é conhecer o candidato e não o partido.

Lembre-se, o preço da sua escolha será conhecido ao longo de quatro anos. Agarre-se na novidade que escapa ao controle dos marqueteiros e das lideranças partidárias: as redes sociais. Por meio delas, você eleitor, deixa de ser passivo para se tornar protagonista e formador de opinião.

 

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Sábado, dia 30 de junho, foi o prazo final determinado pela Justiça Eleitoral para que os partidos políticos fizessem as convenções e definissem as chapas dos candidatos a prefeitos e vereadores dos 5,5 mil municípios brasileiros.

A grande novidade da eleição de 7 de outubro, é  que os candidatos ao Executivo Municipal e ao Legislativo serão analisados sob a égide da Lei da Ficha Limpa, que proíbe  cidadãos  considerados ficha-suja a se candidatarem a cargos públicos.  Vale lembrar que a Ficha Limpa é o resultado da cobrança da sociedade brasileira, inspirada pelo brasileiro comum, cidadão que colheu assinaturas, que foi às ruas, praças e avenidas com crianças e jovens. Que levantou faixas e bandeiras, exigindo um novo tempo na política do país.

Agora, quando começa a Campanha Eleitoral é o momento de ver e cobrar se os partidos políticos e candidatos estão compromissados com a transparência e a  ética, se as propostas tiveram uma prévia consulta junto à  comunidade, se têm consistência para serem colocadas em prática ou se são meras propostas eleitoreiras. É fundamental que os candidatos demonstrem profundo respeito à coisa pública, descartando vícios rotineiros tão comuns à cena política brasileira.  Além disso, cabe  ao eleitor investigar a ficha do candidato, os seus antecendentes e, se o que ele propoẽ vem ao encontro dos anseios e necessidades da comunidade.

Vale ressaltar também que, em meio a Campanha Eleitoral, enquanto os candidatos estiverem nas ruas ou expondo suas propostas na propaganda eleitoral de televisão e rádio, O Congresso Nacional estará julgando a CPI do Cachoeira, e o Supremo Tribunal Eleitoral (STF) julga o escândalo do Mensalão de 2005, que sinaliza esquema de corrupção com financiamento irregular de campanhas eleitorais. Esse dois acontecimentos são emblemáticos e não podem ser esquecidos pelo cidadão e, principalmente, pelo eleitor que têm compromisso com a mudança e que acredita no voto como a única ferramenta para a mudança.

Portanto, o uso da máquina administrativa, propagandas irregulares, antecipadas ou fora de contexto devem ser coibidas com rigor pela Justiça Eleitoral, independentemente do CPF do candidato ou do CNPJ do Partido Político. É preciso também que o cidadão acompanhe, participe do processo eleitoral, denunciando as irregularidades, acabando ainda com o mito de que as punições eleitorais são fictícias e acabam sempre em pizzas.  É bom lembrar que é histórico a Lei da Ficha Limpa e que, finalmente, o Brasil aprimorou os mecanismos de controle e prevenção das irregularidades. Dois momentos distintos, na qual foi fundamental a participação da sociedade civil.

Assim, candidatos e Justiça precisam estar imbuídos do espírito ético-moral para dar dignidade ao voto. Cabe também ao eleitor pesquisar a vida do candidato e acompanhar os debates eleitorais para saber se os candidatos estão à altura do desafio de fazer dessa eleição, uma eleição de mudanças.

É certo também que o brasileiro demonstra cansaço e descrença quando o assunto é política, contudo, não fugiu à responsabilidade de buscar um país melhor: mais justo, solidário e ético. E, com certeza, saberá cobrar nas urnas.

 

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Carlos Drummond de Andrade

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necissita de adninhação, de pele, de saliva, lágrimas, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, lferte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas. Namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser omais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira; basta um olhar de compreensão ou meso de aflição.. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduiche de padaria ou dribe no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do pr´prio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobslhados de alegria pela lucidez de amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beirad'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou no meio do dia de sol em plena prais cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confude solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estourado, saia do quintal de sim mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada, Ande como se chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palvras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enloqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

Feliz Dia dos Namorados!!!

 

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