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Solidariedade e reconstrução

Ribeirão das Neves é berço de uma parcela significativa de nevenses. É também teto para os mineiros oriundos de muitos solos das Gerais e de milhares que habitam o seu chão. Este chão dos que nasceram, dos que o município acolheu e dos que adotou. Eu, como cidadã nevense, quero acreditar que, nos momentos de dificuldade, a “oração é mais forte que a crítica.” Que os investimentos anunciados pelo governo federal possam de fato chegar e melhorar os serviços essenciais e que eles sejam tangíveis à população.

É hora, reafirmo, de acreditar na reconstrução e no desenvolvimento, lembrando que a cidade tem um Centro Industrial privilegiado, pois é um dos mais bem localizados da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). É ligada à BR040, corredor de escoamento de mercadorias, está interligado também aos grandes centros industriais e de consumo, como Belo Horizonte, Contagem, Betim e ainda ao polo industrial emergente, como Sete Lagoas.

Mas, vale dizer também que, ao celebrar 64 anos de Emancipação Política, o outro nome de Ribeirão das Neves é a solidariedade, pois o granizo e o vento uniram moradores e autoridades para socorrer quem tudo perdeu. É hora então, de acreditar na reconstrução da cidade. De apostar na Administração de Junynho Martins, “filho da Terra”, eleito com mais 70 mil dos votos válidos. Sendo, portanto, legitimado por grande parte do eleitorado, que tem um compromisso assumido com a população em fazer de Ribeirão das Neves, uma cidade infinitamente melhor, alavancando o seu desenvolvimento tão sonhado e necessário.

Sabe-se, entretanto, que os desafios são muitos, mas as melhorias já estão acontecendo. Chega de estigmas, de apontar a pobreza e a miséria dos moradores do município como castigo. É hora de combater indicativos sociais tão explorados pela mídia e de políticos à caça de votos. É hora de rejeitar o município como sendo só território de muitos votos e de muitos problemas. É hora de acreditar na transformação, que deixará pra trás décadas de exploração política. É hora de combater os loteamentos irregulares, ocupados pela população menos favorecida e que hoje cobra uma vida com mais dignidade.

Em 2017, a realidade do município é outra, pois os quase 400 mil habitantes sinalizam que o romântico e bucólico distrito ficou pra trás e, que, definitivamente, Ribeirão das Neves é uma “selva de pedra”, que vive todo stress urbano: trabalhadores que enfrentam filas imensas nos coletivos públicos, escandalosamente, precários e, vivem um cotidiano de muitas carências e da violência que compromete a segurança dos seus cidadãos, uma, cidade que tem, constantemente, câmaras e microfones de TVs e rádios voltados para si, mostrando os problemas vivenciados pelos moradores, mas também explorando a desinformação e a vulnerabilidade dos mesmos. Além disso, tem as “redes sociais” monitorando tudo. Vale lembrar também que ao fazer a “travessia”, a cidade teve modificado os seus ritos religiosos e políticos. Teve ignorados os seus costumes, crenças e tradições. Hoje, está tudo junto e misturado e o sentimento de “pertencimento” não existe para a maioria da população. É uma Ribeirão das Neves sem identidade. No campo da política, por ter um eleitorado significativo, é palco para caçadores de votos e oportunistas de plantão, que tentam fazer da cidade o seu curral eleitoral. Por outro lado, vale ressaltar que aqui, é o “espaço carcerário” imposto pelo governo do estado. E, esse estado deve ao município investimentos reais e não ações paliativas. A implantação dos presídios não foi acompanhada de contrapartida, de investimentos relevantes que melhorassem a qualidade de vida dos seus moradores. Por isso, a demanda por investimentos em áreas como saúde, transporte e empregabilidade é preponderante para a população.

Vale dizer ainda que, em 12 de dezembro de 1953, quando da emancipação, Ribeirão das Neves era um distrito com poucos moradores. A realidade era composta do que estava à sua volta, não havia imagem e a difusão dos acontecimentos era quase falha. Por isso, o registro que foi para a história, é de um texto que criou o município e de fotografias em preto e branco de um pequeno grupo político comemorando a emancipação, tudo de forma simples como convinha à época e, ainda que abrigasse em seu solo a Penitenciária Agrícola de Neves e, tudo girasse em torno dela, o distrito era pacato e nada acontecia que merecesse a vigília da grande mídia.

O certo, porém, é que a Ribeirão das Neves do século XXI, vivi todas as contradições de uma cidade grande e, os acontecimentos ruins realçam as fragilidades da cidade, no seu dia a dia. Por isso, é importante traçar o seu perfil histórico e suas mazelas, lembrando que a mesma nunca tinha passado por catástrofes provocadas por fenômenos da natureza tão impactante, os estragos, até então, vinham dos desmandos políticos, pela corrupção e pela manutenção da pobreza. De gestores que perpetuaram a política de apadrinhamentos e favorecimentos ilícitos. Assim, ao celebrar 64 anos de Emancipação Política Ribeirão das Neves ainda conserva a marca de um crescimento populacional desordenado, não acompanhado de investimentos em infraestrutura e saneamento básico e que garantissem mais qualidade de vida à população, pois tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tão baixo, comparado aos das cidades do Vale do Jequitinhonha. Além disso, faltou vontade política que favorecesse, de fato, o seu desenvolvimento econômico, social e cultural. Mas ainda assim, é hora de acreditar que melhores dias virão. É hora de apostar no diálogo com a Administração Municipal e, juntos construir uma cidade mais justa e igualitária.

Hoje, o “Aniversário da Cidade”, neste 12 de dezembro, veio recheado de susto, medo e perdas materiais, devido ao forte temporal que desabou em Ribeirão das Neves, no dia 29 de novembro e que devastou a área central e bairros do entorno. A chuva de granizo acompanhada de ventos a 70km/h, deixou um rastro de destruição jamais visto no município e, com certeza, ficará na memória de quem presenciou. Passado uma semana, a cidade ainda sangra com um cenário que impactou os moradores: casas destelhadas, árvores arrancadas, ruas esburacadas e famílias desabrigadas e desalojadas, mas Ribeirão das Neves é muito maior que tudo que acontece e a história do povo mostra que somos como rocha.

Então, comemoramos com muito orgulho o aniversário da nossa cidade.

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