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Maria do Carmo Freitas

Faltam apenas alguns dias para você cidadão de Ribeirão das Neves exercer a autoridade do voto. A autoridade do voto exercida por você na cabine, o faz um comandante único e soberano. Ali, naquele momento, você é muito importante, e, ao votar estará fazendo o seu julgamento. A sua liberdade nessa hora é maior e mais importante que qualquer tribunal.

O voto é direito sagrado do cidadão. É o exercício pleno da cidadania. E é por meio do voto que vamos avaliar no próximo domingo, os candidatos a prefeitos e vereadores. Cargos públicos importantes que pode mudar o dia a dia da cidade e, consequentemente, a nossa vida. Para tanto, é preciso saber das propostas dos candidatos, da atuação profissional deles anterior à candidatura, avaliar a sua ficha técnica, a sua ligação com a sua comunidade, enfim, reconhecer quem é competente para iniciar um processo de gestão eficiente, capaz  de traduzir em melhores serviços à população.

Assim, é preciso, mesmo na reta final do processo eleitoral, da sua participação e, acima de tudo, da sua consciência responsável sobre a importância do voto. Ainda dá tempo de pesquisar, avaliar e escolher candidatos mais engajados na luta pela solução dos problemas da nossa Ribeirão das Neves. A sua escolha pode fazer a diferença para transformar o município numa cidade mais justa e ética.

A Lei da Ficha Limpa é, neste momento, um alerta cívico, sinalizando que o mal maior não está na candidatura dos corruptos, mas na eleição deles. O certo, porém, é que diante de conhecimentos de atos de corrupção, com ou sem processo, com ou sem Ficha Limpa, você eleitor, é o juiz.

Vale então lembrar que Ribeirão das Neves será a partir de 1º de janeiro de 2013, o resultado das urnas. Para melhor ou para pior. Por isso, não dê seu voto a corruptos e oportunistas. Não se deixe enganar pela propaganda eleitoral mascarada, que desconstrói candidatos e não propoẽ nada de concreto para a cidade.

Lembre-se, a Lei não muda a natureza das coisas. São as pessoas, com suas condutas, que mudam a realidade.

 

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O mérito de uma existência digna está na capacidade da pessoa equilibrar as ações do dia a dia, realizando tarefas dentro do tempo e condição e, acima de tudo, criando caminhos éticos que vai repassando de geração a geração.

A pessoa que descreverei a seguir, tem uma vida plena de luz e bons exemplos para com os seus. É uma pessoa cativante, afável, simples e muito comunicativa. Sua vida está pautada na caridade e na fé. Sempre captou o lado positivo das pessoas. Esbanjando tolerância, nada ela censura, nada que é humano a escandaliza. Reparte alegria e a dor guarda pra si.

Nascida em Vila Maravilha (São José da Lapa), 1913, filha de sitiante e de uma dona de casa quitanteira. É a quarta de seis irmãs e a única viva. Estudou até a 3ª série do antigo primário, mas escrevia e lia muito bem. Na vida simples de roceira, teve uma infância feliz junto aos familiares.

Na adolescência tomou gosto pela festas religiosas e passou a militar a fé cristã, pondo em prática os ensinamentos.

Quando jovem, adorava ir  às festas das padroeiras nas cidades de Lagoa Santa e Ribeirão das Neves, mas também gostava de dançar e namorar. Foi em uma dessas festas que ela conheceu o seu marido, José Alexandre de Freitas. Moço que tocava cavaquinho e era pé de valsa. Com ele se casou e viveu por quase 50 anos, tendo tido o casal onze filhos.

Assim, entregue aos cuidados de duas gerações de filhos, nunca trabalhou fora. Nunca teve poder, mas é livre e autêntica. A sua intensa vida social sempre esteve ligada à Igreja Católica, onde participou das seguintes irmandades: Filhas de Maria, Apostolado da Oração e Vicentina.

Mora em Ribeirão das Neves há mais de 60 anos, onde também nasceram todos os filhos. É muito estimada na cidade, cultivando muitas amizades.

Os muitos exemplos que deixa para os 18 netos, 17 bisnetos e 2 tataranetos, inclui a suavidade com que resolvia os problemas que a afligia a si e ao próximo, o que é muito maior do qualquer projeto político. Ela tem uma vida que não evitou turbulências, mas também não se define por elas. Com todos os parentes, filhos, netos, bisnetos e tataranetos ela tem um olhar de carinho. E todos têm uma história engraçada com a avó e bisá.

Agora, mesmo com a saúde frágil, memória  falhando devido a audição completamente comprometida,  a voz continua firme e as mãos não tremem, o comprimento às pessoas ainda se faz presente e ela continua enchendo a nossa vida de doçura e coragem.

Seu nome é Antonieta Antonina Rodrigues, minha estrela-guia.

Hoje, ela completa 99 anos.

Feliz idade. Parabéns, mamãe.

 

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ELAS têm o Dom da Vida e  o olhar do eterno amor!
São aguerridas e paradoxais.
Quando vejo o rosto da que convivo, encontro no olhar manso, puro e frágil, um amor incomensurável e isso me dá  uma certeza plena que a vida vale a pena. “Ela” é exemplo na construção da minha história.
Através do seu olhar tenho vislumbrado outros olhares, outras vidas.
Vidas de fé, que no engenho dado por Deus, criam e recriam a mais bela das artes: amar incondicionalmente outro ser. E, por causa desse amor, doam, cuidam, choram, sofrem e por Ele são capazes de morrer.
Vidas grandes, simples e sábias. Vidas engedradas com arte. Arte de educar, de amenizar , brigar e ponderar.
Vidas, que sabiamente equilibram as ações do sim e do não.
Vidas ricas e pobres, cultas, incultas, brancas e negras.
Vidas de meninas que ninam antes da hora. Vidas maduras que acalentam e vivem o mais sublime amor.
Vidas que encaram às diversidades com dignidade.
Vidas que renunciam, mas que também trabalham, cantam e emocionam.
Vidas modernas e tradicionais.
Vidas que simbolizam o amor de Maria!
Vidas especiais, pois todos Os Dias São Seus.
Vidas, grandiosamente, Mães!

 

 

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Homenageio Antonieta, mãe, estrela guia, na minha vida é a primeira.

Falo para as minhas amigas de todos os dias, perto ou longe: Socorro, Zara, Tânia, Nadja, Patrícia, Maria Célia, Helena, todas queridas, espiritualizadas, alegres e justas.

Falo às minhas colegas da comunicação. Dani, mãe decidida, justa, transparente e de bom coração. Gisele, sua companhia é tudo de bom, Beatriz, tão Zen, Maria, mãe, mãe e mãe, Jouse, muita coisa ainda vai comunicar. E a Marcione, quanta alegria e disposição! "Tudo bem coisinha".

Falo para as minha irmãs: Neuza, que também me criou, Delma e Tânia. Mulheres que compartilham comigo o bom e o ruim e as intimidades do dia a dia.

Falo às Marias, mulheres que têm fé na vida. Tão comuns. No cotidiano labutam, lutam choram pelos filhos, maridos, irmãos, se desesperam, caem, mas dão a volta por cima e tudo ensinam.

Falo às fomiguinhas, varrem ruas e avenidas e suas próprias lágrimas.

Dou viva à Conceição. Mulher guerreira lá de Ponte Nova. Sua história de vida é mais que uma lição.

Falo às mulheres negras, lindas, mas ainda discriminadas.

Dou viva! Às mulheres do Vale do Jequintinhonha. Artistas que adornam o barro, que tecem e lavam roupa jogando no rio as tristezas e misérias. Vidas de arte e oração.

Dou Viva, as mulheres que se enfeitam, que se gostam, que brigam pelo que é de "seu", mas, se amam, acima de tudo.

Dou viva, as meninas que cedo embalam seus filhos, num misto de apego, medo e solidão.

Dou viva, as mulheres corajosas, que sentam sozinhas num bar e, sem intimidação, pedem uma cerveja.

Falo às mulheres que salvam vidas, as que investigam, prendem em nome da Lei e protegem Vidas.

Dou viva, as mulheres que fazem da cozinha uma arte.

Falo às mulheres incompreendidas, que correm todos os riscos e vivem às suas maneiras.

Dou viva! As mulheres que através da prosa e do verso se tornaram imortais: Cecília, Clarice, Raquel, Adelia, Lígia …

Falo às mulheres do salão de beleza, da motocicleta, das lanchonetes e das calçadas.

Dou Viva, as mulheres desdobráveis do século XXI. Tão soltas, inteligentes, banais, poderosas, carentes, loucas e marginais.

Falo às mulheres mineiras, discretas, elegantes e o que mais?

Dou Viva, enfim, a todas as mulheres de Neves: as donas de casa,  as trabalhadoras, que passam horas em filas de ônibus, que suam e trabalham em busca do ganha pão. As rezadeiras, quitandeiras, as políticas, as policiais, as professoras, as poetizas e todas que tudo de um pouco fazem.

 

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No dia 16 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, que finalmente entra em vigor nas eleições municipais de outubro próximo.

Proposta nascida da iniciativa popular, que colheu mais de 1,3 milhão de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa depois de votada, aprovada e promulgada pelo Congresso em 2010, só agora,  depois de dois anos e 11 sessões de julgamentos, é entregue à sociedade que a exigiu. Serão considerados inelegíveis os candidatos condenados em decisão colegiada, os que foram cassados pela Justiça Eleitoral e os que renunciaram para evitar a cassação. Felizmente, velho golpe de renunciar para depois voltar não vale mais. Isso representa ponto positivo para a cidadania brasileira. Além disso, a lei pode tirar de cena mais de uma centena de parlamentares que já sofreram alguma condenação. Vale lembrar que o impedimento os tirará também do páreo eleitoral por oito anos.

Por isso, é inegável que surge, neste momento, o sentimento que agora  haverá mais punições contra àqueles que descaradamente usam as artimanhas da corrupção para roubar a dignidade de milhões de brasileiros privados do direito à saúde, à moradia, ao lazer, ao consumo e, principalmente, de uma educação de qualidade, lembrando que ainda são 16 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da miséria. Essa lei vem então, ao encontro de um justo desejo por mais moralidade na política brasileira e, com certeza, dará início a um processo de mudanças no perfil  dos políticos e exigir mais seriedade dos candidatos no que tange às propostas e o cumprimento das mesmas. Vale ressaltar também que o Supremo ao ouvir as vozes da rua concordou que a lei é fruto da descreça do povo com os políticos que tratam tão mau à coisa pública. Assim, era preciso dar um basta ao recorrente uso da vida pública como plaforma para o enriquecimento ilícito, amparado pela impunidade.

É relevante lembrar ainda que  a história da Lei da Ficha Limpa não nasceu da cabeça de nenhum senador ou deputado. Eles não jogam contra o próprio patrimônio. Porém, é importante  dizer que a  população do país anseia por uma política com mais ética e qualidade.

Para as eleições municipais de 2012, os partidos serão obrigados a fazer uma avaliação mais rigorosa de seus candidatos, o que pode melhorar significativamente as Câmaras Municipais.

Ainda sobre a Lei da Ficha Limpa, uma boa definição foi feita pela ministra do STF, Rosa Weber e o seu voto foi decisivo. “ Os homens públicos devem ser mais cobrados que os cidadãos comuns. Essa lei foi gestada no ventre moralizante da sociedade brasileira, que está agora a exigir mudanças.”

Portanto, a lei pode desencadear novos movimentos moralizantes sobre a classe política brasileira  como um efeito dominó. Mas, o certo, é que a Ficha Limpa vai barrar já da vida pública, os políticos condenados. Isso é um bom começo para que haja de fato mudanças na cultura política do país.

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O ato de rememorar tem importância incomensurável na vida das pessoas. Ao explorar a memória como fonte de felicidade nos deparamos com emoções vividas, que nos remete a um passado redentor, iluminado por algo acolhedor, apaziguador e que se transforma em  lembranças mágicas que estão só adormecidas. Porém, basta acionarmos a memória e tudo acontece de novo.

O carnaval entrou na minha vida por volta dos 11 anos, quando, por pura curiosidade, abandonei as excursões promovidas pela igreja católica para as crianças do catecismo. Fantasiada de índia me achei o máximo e o salão era bem pequeno ali, na Avenida dos Nogueiras. Nos anos que se seguiram, a animação se ampliou e a minha alegria era brincar e  pular todos os dias de carnaval, mesmo sem fantasia.

E este meu gostar foi crescendo e Ribeirão das Neves também. De forma que eu achava nunca  me aposentar dessa festa, que, para nós pré-adolescentes, quatro dias era pouco demais.

Os anos se passaram mais ainda, e ai, surgiu em Neves,  o Ipê Neves Clube. Pura novidade para os jovens nevenses de então. Havia matinés para a garotada, mas o grande barato para mim  era  já poder ir aos bailes à noite. O corpo de menina- moça era só vaidade. Corpinho magrinho que permitia o short bem curtinho e camiseta bem colada. Era tudo de bom! A maquilagem forte e permitida pela mãe, realçava mais o visual. O baile animado por uma banda de música varava a madrugada. As voltas incansáveis no salão eram embaladas pelas marchinhas: Bandeira branca, Me dá um dinheiro aí, Aurora, Lourinha … e  não cansava ninguém. O braço enlaçado na cintura e também um beijo roubado no final da folia, criava expectiva para o baile seguinte.

Um dia, o Ipê Neves Clube fechou e o carnaval em Neves acabou, mas a minha carreira de foleona, não. Estudante universitária fui brincar em outras cidades. E foi lá nas ladeiras de Ouro Preto e Diamantina que conheci o carnaval de rua animado com muita batucada e samba no pé. Nessas cidades cosmopolitas presenciei a essência do carnaval: a liberdade total. Descendo e subindo ladeiras tudo era permitido. Foliões fantasiados, pirados, despersonalizados. Na rua das Flores em Ouro Preto, o alto-falante animava os foliões de muitas nacionalidades, desajeitados, embriagados, mas sintonizados com a folia. Isso é que contava. Em Diamantina, no Mercado, ao rítmo da batucada, a folia enloquecia quem não tinha juízo.  E, por isso, não é prudente compartilhar essas lembranças.

E foi em Diamantina que comecei a me divorciar do carnaval. Quando o axé começou a dominar a festa, eu compulsoriamente tirei meu time de campo. A falta de afinidade com o “ tira o pé do chão” foi me afastando da folia. Eu que sou contemporânea dos samba-enredos de qualidade, não assimilei o rítmo massacrante do axé. Preferi sentar no sofá de casa e assistir ao desfile da minha escola de samba preferida e apreciar a genialidade de Joaozinho Trinta. Dessa forma, fui desapegando e hoje estou aposentada do carnaval.

Contudo, o meu olhar sobre os meus carnavais é mais saudoso para a folia da minha cidade, onde a brincadeira era tão simples, tão ingenua, mas tão saudável. Violência não existia. Por isso, é válido lembrar que a minha geração foi privilegiada, pois divertíamos e curtíamos o carnaval aqui, na nossa querida Ribeirão das Neves, onde o carnaval é coisa do passado. Assim, por hora, carnaval pra mim é só na lembrança. Mas fecho com a frase do grande escritor Guimarães Rosa: “O que lembro tenho.” Isso me serve como consolo.

 

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