A tarde desta terça-feira (5) foi marcada por momentos de tensão no plenário da Câmara Municipal de Ribeirão das Neves.
O que deveria ser uma sessão ordinária transformou-se em um caso de polícia, resultando na detenção de um cidadão após um intenso bate-boca com o vereador Ramon Filho do Girico.
A confusão teve início durante o uso da palavra pelo parlamentar. O morador, Douglas Lima, que acompanhava a sessão, interrompeu o discurso de Ramon para questionar a atuação do Legislativo em relação à saúde pública na cidade.
Segundo o relato do denunciante, ele teria chamado o vereador de "moleque" e o acusado de omissão na fiscalização das unidades de saúde.
Diante das ofensas, o vereador Ramon Filho do Girico deu voz de prisão ao morador por segundo ele "desacato à autoridade".
O parlamentar acionou a Polícia Militar e conduziu o homem pessoalmente à delegacia para a formalização da ocorrência.
Ramon justificou a medida como necessária para manter a ordem e o respeito ao regimento interno da Casa e à Constituição Federal.
Divergências: O que aconteceu na UPA Justinópolis?
O conflito entre as partes teve origem no dia anterior, segunda-feira (4), na UPA Justinópolis, mas as versões sobre o que ocorreu na unidade de saúde são conflitantes:
De acordo com o vereador o homem detido esteve envolvido em um ato de vandalismo na UPA, que teria resultado na destruição da porta da unidade de saúde.
O vereador alegou ainda que o suspeito utiliza redes sociais para fins políticos, apoiando candidatos específicos, e que teria ido à Câmara apenas para "fazer graça" antes de proferir as ofensas.
Por outro lado, Douglas afirma que sua presença na UPA foi motivada por uma "fiscalização cidadã".
Segundo ele, a unidade apresentava problemas estruturais e demora excessiva, citando o caso de uma adolescente de 16 anos com cólica renal que aguardava atendimento em estado de sofrimento.
O morador nega veementemente qualquer ato de depredação ao patrimônio público e alega que os parlamentares estão tentando silenciar críticas legítimas sobre a crise na saúde.
Após a voz de prisão no plenário, o indivíduo foi entregue às autoridades policiais e deverá responder nos termos da lei pelo crime de desacato.
O vereador Ramon ressaltou que a imunidade parlamentar e o direito à fala dos representantes eleitos não podem ser violados por "desequilíbrios".
Já o morador sustenta que sua reação foi um desabafo contra o que considera uma falta de assistência à população nevense.

