A agiotagem tem ganhado novos contornos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Investigações realizadas ao longo de 2026 apontam para empréstimos com juros elevados, cobranças abusivas, ameaças e episódios de violência. O problema afeta diferentes cidades de de Belo Horizonte, entre elas Ribeirão das Neves, que integra a região metropolitana.
Em alguns casos, devedores relatam receber mensagens ameaçadoras, sofrer perseguições e até ter acesso a vídeos de pessoas sendo agredidas. O material seria utilizado para intimidar quem não consegue quitar os valores cobrados.
Um dos principais casos é investigado pela Polícia Civil por meio da Operação Capital Coativo, deflagrada em maio contra um grupo suspeito de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A investigação teve um dos focos em Contagem e aponta mais de 340 possíveis vítimas. Segundo a polícia, pequenos comerciantes e mulheres estavam entre os principais alvos.
Em Belo Horizonte, uma vítima pegou R$ 500 emprestados e chegou a pagar cerca de R$ 1,4 mil. Mesmo assim, continuava sendo cobrada por aproximadamente R$ 5 mil. De acordo com a investigação, os juros chegavam a 40% ao mês.
Uma mulher da Região Metropolitana, que não terá a identidade divulgada por medo de represálias, contou que assumiu uma dívida contraída por um familiar. Segundo ela, o parente havia pegado R$ 5 mil emprestados, mas o débito ultrapassou R$ 40 mil com a cobrança dos juros.
O caso mostra como os efeitos da agiotagem podem atingir também familiares dos devedores. A mulher afirma que passou a ser pressionada pelos cobradores e chegou a desembolsar cerca de R$ 2 mil por mês para tentar reduzir a dívida.
A violência também aparece nas investigações. Em Belo Horizonte, um homem é suspeito de agredir uma mulher durante uma cobrança de R$ 10 mil. As imagens da agressão teriam sido divulgadas nas redes sociais. O investigado também é apurado por possíveis crimes de extorsão, tortura e ameaça.
Com Ribeirão das Neves e outros municípios da Grande BH inseridos na mesma dinâmica metropolitana, as investigações chamam atenção para os riscos enfrentados por pessoas que recorrem a empréstimos informais em momentos de dificuldade financeira. O que começa como uma solução rápida pode resultar em dívidas muito maiores e, em casos extremos, em situações de violência.
Mensagens, áudios, vídeos, comprovantes de pagamento e outros registros podem ajudar nas investigações. Em situações de ameaça ou agressão, a orientação é procurar as autoridades e evitar o confronto direto com os cobradores.

