Vítima, de 21 anos, foi assassinada na última segunda-feira (7) no bairro Xangrilá, em Ribeirão das Neves; suspeito, de 24 anos, foi preso na sexta-feira (11)
Foi concedida à família materna, neste sábado (12/9), a guarda provisória da filha de 1 ano de Ana Beatriz Gomes dos Santos, espancada até a morte pelo ex-companheiro em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde o crime, ocorrido na última segunda-feira (7), a criança estava com a família do suspeito de feminicídio, de 24 anos, que foi preso na tarde da última sexta-feira (11).
A informação foi confirmada a O TEMPO pelo advogado da família, Fabiano Lopes. Imagens obtidas pela reportagem mostram o momento em que a criança é recebida pelos parentes de Ana, chegando acompanhada de um oficial de Justiça.
Fabiano Lopes, advogado contratado pela família da vítima, conta que uma ação de busca e apreensão e guarda provisória da criança foi ajuizada na sexta-feira pela manhã. "Despachamos com o juiz da Família de Contagem e conseguimos que fosse realizada a busca e apreensão e, graças a Deus, a criança está com a família da Ana Beatriz, a guarda provisória vai ficar com eles", comemorou.
O advogado afirmou ainda que, agora, a família seguirá persistindo na Justiça para que a guarda fique de forma definitiva com os parentes da vítima de feminicídio. "Eles já perderam a filha, mais do que justo que a criança, que é uma extensão da filha deles, fique com a família. Agora, vamos vamos continuar a auxiliar a Polícia Civil e a família para que o Marco Antônio vá ao júri e que ele tenha uma pena condizente com o tamanho da violência que ele cometeu", concluiu Lopes.
Até dois dias após o feminicídio, os parentes da vítima ainda não sabiam o paradeiro da criança. A guarda da filha seria um dos motivos para a briga que terminou com o suspeito espancando a mulher.
Procurado, o advogado do homem, Bruno Correa Lemos, informou por nota que, assim que a família do suspeito tomou conhecimento da medida liminar, proferida pela Vara das Famílias, a entrega da criança foi providenciada "de imediato", "sem qualquer tipo de resistência".
Ainda segundo o advogado, na próxima semana, a defesa providenciará a "devida habilitação nos autos", passando a acompanhar formalmente o feito e a adotar as medidas cabíveis.
"Importante destacar que a família do autor participará ativamente do processo de guarda, sempre pautando sua atuação pelo melhor interesse da criança e pela preservação de seu bem-estar, ao mesmo tempo em que serão asseguradas todas as garantias legais inerentes aos núcleos familiares e, sobretudo, à própria criança", concluiu Lemos.
Relembre o crime
De acordo com o registro da ocorrência, o primo do suspeito, que reside na casa ao lado, contou que estava preparando o jantar para os avós quando ouviu uma discussão entre o casal. O familiar contou que as brigas eram frequentes, devido à dificuldade de ambos em seguir com a vida após o fim do relacionamento e, também, diante da disputa pela guarda da filha do casal, de apenas um ano. Por isso, ao ouvir a discussão, ele não teria ido até a casa do primo.
Entretanto, alguns minutos depois, ao perceber que a briga teria acabado e um silêncio tomou conta do local, ele foi até a residência e encontrou a vítima caída. O suspeito já havia fugido do local. O homem, então, acionou o Samu e a Polícia Militar (PMMG).
Os médicos do Samu confirmaram o óbito da vítima, que apresentava sinais de espancamento. A perícia da Polícia Civil (PCMG) foi acionada e identificou que a causa da morte teria sido uma série de lesões na cabeça, compatíveis com socos e chutes. Não foram encontrados no local objetos que poderiam ter sido usados no crime.

