Ação conjunta cumpre mandados em Minas Gerais e aponta ramificações de quadrilha especializada em desviar mercadorias de multinacionais.
Uma operação policial de âmbito nacional deflagrada nesta semana colocou Ribeirão das Neves, no centro das investigações sobre um esquema interestadual de furto e desvio de cargas. A ação, batizada de Operação Desvio de Rota, é coordenada pela Polícia Civil da Bahia e tem como alvo uma organização criminosa que causou um prejuízo superior a R$ 500 mil a uma empresa multinacional.
Enquanto a liderança do esquema foi localizada e presa em Feira de Santana (BA), a operação desdobrou-se em diversos estados. Em Minas Gerais, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em municípios estratégicos da Grande BH e do interior — com destaque para Ribeirão das Neves, além de cidades vizinhas como Belo Horizonte, Santa Luzia, Betim, Juatuba e Ibirité.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas em Rodovias (Decarga), o grupo criminoso atuava de forma estruturada.
O modus operandi consistia no aliciamento de motoristas de caminhão e funcionários de empresas terceirizadas encarregadas do transporte das mercadorias. Fora das rotas oficiais de distribuição estipuladas pelas empresas, os veículos eram desviados para postos de combustíveis previamente combinados. Nesses locais, as cargas eram subtraídas e repassadas para o esquema de receptação.
Impacto e desdobramentos
No total, a ofensiva policial mobilizou agentes para cumprir 18 mandados de busca e apreensão espalhados por 12 municípios em estados como Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraíba e Pernambuco. Além dos mandados de busca cumpridos em Ribeirão das Neves e outras cidades mineiras, investigados também foram presos nos municípios de Curvelo e Belo Horizonte.
As autoridades policiais continuam o trabalho de análise dos materiais apreendidos — incluindo celulares, documentos e veículos — para identificar todos os participantes da rede de receptação e apurar o destino final dos produtos furtados. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as Polícias Civis dos estados envolvidos participam do suporte integrado à operação.

