Esquema criou sites falsos do Governo do Estado, enganou mais de 2,4 mil contribuintes e desviou cerca de R$ 1,7 milhão via Pix.
Uma ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou a Operação Contramão para desarticular uma organização criminosa acusada de clonar o portal oficial do Governo de Minas e aplicar golpes no pagamento do IPVA. A fraude, que operava desde 2024, fez pelo menos 2.435 vítimas e gerou um prejuízo estimado em R$ 1.746.312,44.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11ª Promotoria de Justiça de Combate ao Crime Organizado da capital. Os suspeitos respondem por estelionato qualificado por fraude eletrônica e organização criminosa.
Como funcionava o esquema cibernético
O grupo atuava estrategicamente nos períodos de vencimento do imposto, criando páginas eletrônicas visualmente idênticas às plataformas governamentais. Para induzir as vítimas ao erro, utilizavam domínios na internet contendo termos como “gov”, “detran” e “minasgerais”.
Ao gerar o QR Code para efetuar o pagamento via Pix, os contribuintes acreditavam estar quitando o tributo. No entanto, o montante era direcionado para empresas de fachada controladas pelo grupo e, em seguida, pulverizado em contas bancárias pessoais localizadas em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal.
Durante a ofensiva, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. A ação mobilizou forças do MPMG, da Polícia Militar e da Polícia Civil mineira, além do suporte das polícias e Ministérios Públicos de Goiás, São Paulo e Maranhão.
As ordens judiciais foram cumpridas nas seguintes localidades:
Goiás: Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia
Maranhão: Imperatriz e São Luís
São Paulo: São Paulo (capital) e Ribeirão Preto
Até a última atualização, 10 investigados foram presos. Nas buscas, os agentes apreenderam celulares, notebooks, pendrives, cartões bancários, um simulacro de arma de fogo e 11 papelotes de substância análoga à cocaína.
O promotor de Justiça e coordenador do Gaeciber, André Salles Dias Pinto, alertou para o prejuízo institucional do golpe. “As fraudes cibernéticas se alimentam da confiança que o cidadão deposita nos canais oficiais. Quando o criminoso clona o portal do Estado, ele não subtrai apenas o valor do imposto: corrói a relação entre o contribuinte e a administração pública”, ressaltou.
O material apreendido passará por perícia técnica. A polícia mantém as buscas para localizar os investigados que permanecem foragidos, enquanto o processo tramita sob sigilo de Justiça.

