As imagens são analisadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para determinar o que aconteceu nas horas que antecederam a morte
A investigação sobre a morte de um homem no bairro Metropolitano, em Ribeirão das Neves, ganhou um novo elemento na sexta-feira (28/8): o irmão da vítima foi preso pela Delegacia de Homicídios da cidade. Ele é investigado pelas agressões sofridas pelo homem antes de sua morte, parte delas registrada em gravações que passaram a circular entre moradores. Em um dos vídeos, o agressor se refere à violência como “só o básico da tortura”.
As imagens são analisadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para determinar o que aconteceu nas horas que antecederam a morte. O objetivo é descobrir se os ataques registrados têm relação direta com o óbito e esclarecer a dinâmica dos acontecimentos.
A polícia teve acesso a pelo menos cinco gravações depois que moradores e colaboradores procuraram as autoridades. Cópias do material foram encaminhadas aos investigadores, enquanto algumas das pessoas que contribuíram com a apuração pediram anonimato por receio de sofrer represálias.
Os vídeos apresentam cenas de violência em diferentes momentos. A vítima aparece machucada, com ferimentos nas mãos e nos braços, e é submetida a agressões e intimidações. Em determinado trecho, ela é questionada repetidamente sobre quem “manda” no local. Em outro, pede ao irmão que cesse as agressões e o chama várias vezes. As condições físicas registradas nas imagens também parecem se deteriorar: posteriormente, o homem surge muito ofegante, gemendo e tentando se proteger.
A apuração indica que a violência pode ter se prolongado por horas e ocorrido tanto no interior da residência quanto em pontos próximos ao imóvel. Os investigadores agora confrontam o conteúdo das gravações com os vestígios levantados pela perícia para reconstruir a sequência dos fatos.
Corpo foi encontrado no quintal da residência
Antes de os vídeos serem incorporados à investigação, o caso havia chegado às autoridades como uma ocorrência de mal-estar. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado até a casa onde os dois irmãos moravam depois de um homem ser dado doente. Ao chegar, a equipe encontrou a vítima morta no quintal, já com rigidez cadavérica.
As marcas espalhadas pelo corpo, incluindo diversas escoriações, levantaram dúvidas sobre a circunstância da morte e motivaram o trabalho da perícia da Polícia Civil.
Na primeira versão apresentada às autoridades, o irmão afirmou que a vítima teria sofrido uma queda durante a madrugada. Ele também citou o consumo excessivo de álcool e episódios anteriores de quedas e brigas como possíveis explicações para os ferimentos.
A existência das gravações acrescentou uma nova perspectiva ao caso e levou os investigadores a aprofundarem a apuração sobre o que ocorreu antes da morte.
A origem da sequência de agressões ainda não foi esclarecida. Os investigadores identificaram conflitos familiares relacionados à convivência entre os irmãos, mas ainda tentam determinar qual situação teria desencadeado a violência.
A Polícia Civil também procura estabelecer a cronologia dos acontecimentos, principalmente o período entre os últimos episódios registrados nas gravações, a morte e o acionamento do serviço de emergência.
Os exames periciais serão fundamentais para apontar a causa da morte e avaliar uma possível ligação com as agressões. O inquérito segue com a análise dos vídeos, dos vestígios encontrados no imóvel e no corpo da vítima e das demais provas reunidas pela equipe responsável pelo caso.

