Mesmo sendo o segundo estado com mais casos de feminicídio no Brasil, Minas Gerais ainda não aderiu ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado há mais de dois anos pelo Governo Federal. A ausência da assinatura impede o repasse de recursos federais para ações de combate à violência de gênero, afetando diretamente cidades como Ribeirão das Neves.
Em 2024, o estado registrou 133 feminicídios, segundo dados do Mapa da Violência do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ribeirão das Neves, com alto índice de vulnerabilidade social e desafios históricos na proteção das mulheres, está entre os municípios que mais necessitam de investimento em políticas públicas integradas e eficazes.
De acordo com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o pacto garante recursos para projetos de enfrentamento à violência, como a construção da Casa da Mulher Brasileira, em Belo Horizonte. A unidade, prevista para ser inaugurada em 2026, oferecerá serviços integrados como delegacia especializada, juizado, Defensoria Pública, atendimento psicossocial e alojamento temporário.
A não adesão ao pacto dificulta a replicação de iniciativas como essa em cidades periféricas da Região Metropolitana, como Neves, que carecem de estruturas específicas para acolhimento e proteção às vítimas.
Em nota, o Governo de Minas afirmou que o processo de adesão ao pacto “está em fase de análise”. Enquanto isso, mulheres seguem desassistidas, e o enfrentamento à violência de gênero continua sendo um desafio local e estadual.