O que deveria ser o início de uma nova etapa na vida de uma moradora de Ribeirão das Neves transformou-se em um pesadelo financeiro.
Logo no primeiro mês após alugar uma casa, a consumidora foi surpreendida por uma fatura da Copasa no valor astronômico de R$ 16.541,75.
O caso, que ganhou repercussão após denúncia ao programa Balanço Geral, levanta o alerta sobre a importância da conferência de hidrômetros e histórico de débitos no momento da locação de imóveis.
A moradora, que utiliza o imóvel de forma residencial comum, afirma que o valor é totalmente incompatível com o consumo de uma família. "É um valor impossível de ter sido gasto em um mês por uma residência. Quando vi o boleto, achei que fosse um erro de digitação ou alguma fraude, mas o débito era real no sistema da empresa", relatou à equipe de reportagem.
A conta de mais de R$ 16 mil equivale ao consumo que uma residência média levaria anos para acumular, sugerindo a existência de um vazamento oculto de grandes proporções ou um erro grave de leitura por parte da concessionária.
Ao procurar a Copasa, a moradora enfrentou as dificuldades habituais do atendimento ao cliente em casos de alto valor. A concessionária, em um primeiro momento, mantém a cobrança baseada no que o hidrômetro registrou. No entanto, em situações de "vazamento invisível" (aquele que não é percebido pelo morador por estar no subsolo), a legislação e as normas da Arsae-MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais) preveem mecanismos de revisão de tarifa.
Especialistas em direito do consumidor orientam que, em casos como este, o morador deve:
Registrar a Reclamação: Protocolar imediatamente o pedido de revisão de leitura e vistoria técnica junto à Copasa.
Verificar Vazamentos: Contratar um profissional de "caça-vazamentos" para emitir um laudo técnico, caso o problema seja na rede interna.
Procurar a Arsae-MG: Caso a Copasa se recuse a revisar o valor após a constatação de erro ou vazamento oculto, a agência reguladora deve ser acionada.
Atenção no Aluguel: Antes de assinar o contrato, o locatário deve exigir o "nada consta" das empresas de água e luz e fotografar a leitura atual do hidrômetro no ato da entrega das chaves.
Em nota enviada à reportagem, a Copasa informou que enviará uma equipe técnica ao local para verificar as condições do padrão e do hidrômetro. A empresa ressaltou que, caso seja comprovado erro na leitura ou vazamento oculto sanado pelo cliente, o valor poderá ser renegociado ou retificado conforme as normas vigentes.
Até o fechamento desta edição, a moradora ainda aguardava a anulação da cobrança abusiva para conseguir manter o fornecimento de água no imóvel.

