A sequência de rompimentos de adutoras que afetou o abastecimento em bairros de Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves e municípios vizinhos nos últimos dias colocou em evidência a fragilidade da infraestrutura hídrica na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Copasa atribuiu os episódios à queda de temperatura, mas a recorrência das falhas expõe o impacto de uma rede subterrânea defasada na rotina de milhares de moradores.
Segundo a companhia, o frio provoca a retração térmica dos materiais, tornando os canos rígidos e vulneráveis a trincas. Além disso, a redução no consumo de água durante o período de baixas temperaturas eleva a pressão interna no sistema, forçando trechos fragilizados.
O problema ganha proporções regionais devido ao modelo do sistema de distribuição: na Grande BH, são cerca de 20 milhões de metros de tubulações integradas, com trechos operando há mais de 60 anos. O relevo acidentado do colar metropolitano com desníveis de até 400 metros entre diferentes localidades exige bombeamento intenso e altíssima pressão contínua.
Quando uma adutora de grande porte cede em vias estruturantes ou divisas municipais, o efeito em cadeia atinge o trânsito metropolitano e suspende o fornecimento de água de forma simultânea em bairros da capital e de cidades contíguas.
A Copasa nega que os vazamentos estejam fora dos patamares históricos para esta época do ano e descarta relação entre os incidentes e as discussões sobre a privatização da empresa. Contudo, para quem depende do serviço nos municípios do entorno, a sucessão de reparos emergenciais reforça a cobrança por investimentos preventivos na malha hídrica regional.

