Temos vivenciado tempos difíceis, e falar sobre ansiedade em tempos de pandemia é uma temática urgente e necessária. Nesse contexto, é importante lembrar que pouco mais de um ano, vivendo nesse caos a saúde emocional da população brasileira tem sido afetada de um modo bastante particular.

Quando foi declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde não sabíamos ao certo o que estava por vir, mas a primeira emoção que pode ter vindo à tona foi o medo, o medo do desconhecido, de contrair o vírus, ou seja, o medo do novo. E logo após, as incertezas, inseguranças, preocupações, isolamento e distanciamento social, as angústias voltadas para o desemprego e renda, perdas de pessoas queridas e as grandes dúvidas: como é a contaminação? O que preciso fazer para me proteger? quando isso irá passar? E por aí vai.

Em grande parte dos veículos de comunicação em massa o foco voltava-se para os gráficos de contaminação e mortes e/ ou medidas de prevenção, que cabe ressaltar a importância do acesso à essas informações. Mas e a saúde emocional, onde fica nesse caos todo?

Primeiro é importante entender que a saúde emocional se diz respeito a nossa capacidade de gerenciar os nossos sentimentos e emoções de uma maneira mais assertiva, empática e não julgadora. Como assim? Identificar e compreender quando as coisas não estão bem, saber avaliar quando uma situação está no seu controle ou não e o que fazer com isso, permitir-se pensar em possibilidades de acertos e erros, altos e baixos que a vida nos proporciona.

Nesse sentido é preciso lembrar que estamos cada vez mais adoecidos com todo esse cenário social e precisamos falar sobre isso. A pandemia potencializou os níveis de ansiedade da população, e por que digo que potencializou? porque a ansiedade é uma característica humana, assim como a alegria, a raiva, o medo e tem um papel fundamental de proteção e preservação da nossa espécie, ou seja, a ansiedade já faz parte de quem somos e não tem como dissociá-la da gente.

Lidar com a ansiedade é lidar com as nossas preocupações e desse modo é importante entender que as nossas preocupações estão no nível da nossa imaginação, ou seja, os questionamentos mais comuns são os “E se?” - “E se eu contrair o vírus?” “E se meu chefe me mandar embora?”.

Todas essas preocupações são legítimas para um tempo como esse, mas o que está acontecendo é que essas preocupações geralmente são tão intensas que o nosso corpo se prepara para resolvê-las imediatamente e ele não distingue se é de madrugada ou meio-dia e então o coração começa a acelerar, as mãos começam a suar, “do nada” vem uma angústia, um medo, falta de ar - e aí que entra um sintoma parecido com a COVID, e nesse sentido a pessoa já acha que está com o vírus e em casos mais graves buscam ajuda junto ao médico. E tudo começou com a preocupação.

Atentar-se para as nossas emoções é fundamental para conseguirmos identificar o que está ao nosso redor. Mas vale ressaltar aqui que tudo isso também tem a ver com o nosso contexto social e por isso digo que a pandemia afeta a população brasileira de um modo particular, pois a incerteza de não ter o que comer afeta, o medo de não ter renda afeta, os direcionamentos médicos, políticos afetam.

Infelizmente as mortes pela pandemia são reais, e no nosso município não é diferente, são mais de 500 vidas que poderiam ter sido salvas e quem atravessa essa situação está fragilizado (a). Por isso, é importante reconhecermos que é um momento difícil, aceitar que é real, nos proteger e proteger quem amamos.

E afinal, o que se pode fazer para diminuir a ansiedade e ter o mínimo de saúde emocional na pandemia?

Primeiro devemos ter a consciência de que esse caos é para todo mundo (exceto alguns países que já avançaram a vacinação, algo que não é bem a nossa realidade), e nesse sentido é importante aceitar as nossas limitações, pois não conseguimos controlar tudo a nossa volta, tem coisas que não depende de você, e por isso é necessário sempre reavaliar as nossas preocupações e cuidar da nossa ansiedade com técnicas de relaxamento que ajudam voltar a atenção para o corpo, atividade física (encontre algo que realmente faça sentido para você), assistir uma novela, um filme, ler um livro, cultivar plantas, fazer uma ligação, entre outras infinidades de coisas simples que você possa praticar e realmente sentir prazer no que faz.

É um momento difícil de muitas incertezas, voltar a atenção para as nossas emoções e se permitir senti-las sejam elas boas ou ruins pode tornar esse momento menos desgastante, e às vezes só precisamos colocar os pés para o alto, deixar as preocupações um pouco de lado e entender que os pequenos momentos na vida também são importantes para nossa saúde emocional.

Samantha Fernandes Silva
Psicóloga CRP 04/49250