Criminosos têm sofisticado o golpe do falso entregador, que deixou de envolver apenas cobranças indevidas em maquininhas de cartão. Agora, a fraude também pode incluir engenharia social, pedidos de selfie e tentativas de exploração do reconhecimento facial para acessar contas e realizar operações financeiras.
A prática ocorre, principalmente, durante entregas de alimentos, presentes e outros produtos. O criminoso se apresenta como entregador e cria uma situação de urgência para convencer a vítima a fornecer informações, realizar pagamentos ou permitir algum tipo de validação.
Uma das estratégias mais recentes envolve o pedido para que o cliente faça uma foto do rosto ou uma selfie no momento da entrega. O criminoso pode alegar que a imagem é necessária para confirmar o recebimento do pedido ou concluir um procedimento no aplicativo.
A orientação, no entanto, é não realizar esse tipo de procedimento quando ele não estiver previsto no aplicativo oficial. Imagens do rosto são dados pessoais e podem ser exploradas em tentativas de fraude envolvendo sistemas de reconhecimento facial.
Outra tática comum é o contato com o cliente por WhatsApp ou ligação, fora dos canais oficiais da plataforma. O falso entregador afirma que houve algum problema com a entrega ou que é necessário pagar uma taxa adicional.
A cobrança pode ser feita por Pix ou cartão, utilizando uma maquininha. Em situações de fraude, o equipamento pode apresentar problemas no visor ou dificultar a visualização do valor antes da confirmação da operação.
Também há casos em que o criminoso tenta cancelar o pedido dentro do aplicativo e, posteriormente, continuar a negociação diretamente com o consumidor. Com isso, a vítima pode perder parte das proteções oferecidas pela plataforma.
Para evitar cair no golpe, especialistas em segurança digital recomendam:
Não pague taxas extras solicitadas pelo entregador fora do aplicativo;
Confira o valor exibido na maquininha antes de aproximar, inserir ou passar o cartão;
Evite realizar pagamentos por Pix para chaves fornecidas fora dos canais oficiais;
Não forneça senhas, códigos de autenticação ou dados bancários ao entregador;
Não faça selfies ou validações faciais solicitadas de maneira inesperada;
Confirme no aplicativo se o pedido e o entregador correspondem à entrega realizada;
Desconfie de situações de urgência ou de pedidos para resolver problemas diretamente pelo WhatsApp;
Em caso de suspeita, interrompa a negociação e procure o suporte oficial da plataforma.
As plataformas de delivery, em geral, orientam os usuários a manter pagamentos e comunicações dentro dos canais oficiais. Nenhuma cobrança ou procedimento de segurança deve ser realizado de maneira improvisada na porta do consumidor.
Além do prejuízo financeiro, o uso indevido de dados pessoais e biométricos pode aumentar os riscos para a vítima. Por isso, a principal recomendação é não ceder à pressão do suposto entregador e confirmar qualquer solicitação diretamente no aplicativo utilizado para fazer o pedido.

