Três episódios de violência praticados por companheiros em menos de 24 horas, em Belo Horizonte, reacenderam o alerta para a violência de gênero no estado. Em um dos casos, registrado na manhã de terça-feira (21/7) no bairro Jonas Veiga, uma mulher sobreviveu após ser arremessada do terceiro andar de um prédio pelo companheiro.
Longe de serem episódios isolados, os casos refletem uma realidade frequente. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), contabilizados pela Polícia Civil, mostram que Minas Gerais registrou 148 casos de feminicídio (entre consumados e tentados) de janeiro a maio deste ano número praticamente idêntico ao do mesmo período do ano passado (149).
Embora as mortes consumadas tenham caído de 70 para 63, as tentativas subiram de 79 para 85. Na prática, a média permanece em quase 13 mulheres mortas por mês no estado.
O ciclo de violência se reflete também nos registros gerais: nos primeiros cinco meses do ano, 70.036 mulheres denunciaram ameaças, agressões físicas, violência psicológica ou perseguição enquadradas na Lei Maria da Penha em Minas Gerais um aumento de quase 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da OAB-MG, Isabel Araújo Rodrigues, o feminicídio é o ponto final de um ciclo que começa em agressões cotidianas muitas vezes ignoradas.
“As pequenas violências cotidianas precisam da nossa atenção, porque vão se agravar com o tempo. O feminicídio é um crime evitável, desde que a gente consiga enfrentar essas agressões iniciais”, afirma.
A especialista aponta ainda que o enfrentamento do problema exige a reconstrução de políticas públicas e mais investimentos em abrigos, redes de acolhimento e delegacias especializadas no estado.

