Relatos contundentes de familiares de detentos apontam para um cenário de grave crise e descaso no processo de visitação de unidade prisional Inspetor José Martinho Drummond do município no último final de semana. As denúncias envolvem desde falhas severas na infraestrutura e na higiene até episódios de risco iminente à vida dos visitantes, que planejam formalizar uma ação coletiva junto aos órgãos de fiscalização.
De acordo com os depoimentos, o processo de entrada no complexo foi marcado por um tratamento considerado desumano. Muitos visitantes relataram ter chegado à unidade por volta das 6h da manhã, mas só conseguiram acessar a área de espera interna às 9h30. O tempo de permanência em pé, sob sol forte, estendeu-se por horas; em casos mais extremos, houve quem conseguisse entrar no pátio apenas às 15h40 para uma visita de curta duração. Devido ao calor intenso e à demora na triagem, as sacolas de alimentação levadas para os detentos precisaram ser protegidas do sol pelos próprios familiares para evitar que estragassem.
Além do desgaste físico extremo, a falta de manutenção do entorno do presídio gerou pânico. Foi relatada a presença de uma cobra coral em meio ao mato alto nas proximidades da fila de espera. Segundo as testemunhas, o animal peçonhento quase picou uma criança que aguardava no local.
No interior do pátio de visitas, a situação descrita também é alarmante. Os familiares denunciaram condições de higiene severamente comprometidas, caracterizadas pelo acúmulo de sujeira, restos de comida estragada com forte odor e intensa proliferação de mosquitos. Diante do quadro, os próprios visitantes e detentos precisaram improvisar a limpeza do espaço utilizando vassouras e panos velhos para garantir condições mínimas de salubridade para o consumo das refeições.
A insatisfação se estende à rotina interna dos detentos. Há queixas recorrentes a respeito da qualidade da alimentação servida aos sábados, com relatos de almoço entregue já azedo, além de episódios de barulho excessivo nos galpões que estariam impedindo o descanso dos custodiados.
Outro ponto de forte contestação é o suposto sumiço de materiais enviados por canais oficiais. Uma das familiares denunciou que, apesar de encaminhar kits completos via Correios, os mantimentos e itens de necessidade básica chegam incompletos ou simplesmente não são entregues. Em um dos casos citados, o detento estaria há dois ciclos sem receber os pertences enviados pela família.
Diante do cenário de descaso, o grupo de familiares estuda formalizar uma denúncia coletiva perante os órgãos de defesa dos direitos humanos. Entre as medidas propostas estão o acionamento da Defensoria Pública de Ribeirão das Neves e o envio de uma representação à Vara de Execuções Penais do Fórum local. O objetivo é mobilizar o Poder Judiciário para que realize vistorias técnicas imediatas na unidade e exija a regularização da gestão prisional.

