Com quadro de hemorragia subaracnoidea e risco iminente de morte, Carmen Lúcia Souza Ferreira, de 54 anos, está sedada no Hospital Risoleta Neves. Apesar de ordem judicial com prazo de 24 horas, órgãos estaduais e municipais ainda não efetivaram o atendimento.
A vida da servidora pública mineira Carmen Lúcia Souza Ferreira, de 54 anos, corre sério risco devido à falta de transferência hospitalar para a realização de um procedimento cirúrgico de urgência. Diagnosticada com um aneurisma cerebral roto (hemorragia subaracnoidea de alto grau), Carmen está internada e sedada desde a última terça-feira (14) aguardando o tratamento especializado que a rede pública e o convênio médico ainda não conseguiram viabilizar.
O drama teve início quando a moradora de Ribeirão das Neves foi socorrida na UPA do município após ser encontrada arresponsiva. Devido à complexidade do quadro, ela foi estabilizada e transferida para o Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN), em Belo Horizonte. No entanto, a unidade de saúde apontou a necessidade urgente de avaliação e conduta por uma equipe de neurocirurgia ou neurointervencionismo endovascular para a realização de clipagem ou embolização do aneurisma — procedimento indispensável para estancar o sangramento e evitar sequelas irreversíveis ou o óbito.
Conflito de regulação e omissão
Mesmo estando inserida no sistema oficial de regulação estadual (CORE Saúde) e contando com cobertura do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG), onde é associada, Carmen permanece sem o leito adequado.
A Central de Operações de Regulação do Estado de Minas Gerais (CORE) tem alegado falta de vagas para o procedimento de alta complexidade. Paralelamente, o IPSEMG, acionado pela família e pela assistência social do hospital desde o dia 14 de outubro, não apresentou parecer conclusivo ou solução efetiva para a transferência da paciente para a rede credenciada.
Ministério Público e Decisão Judicial
Diante da gravidade da situação, a 19ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Belo Horizonte, conduzida pelo promotor de Justiça Nélio Costa Dutra Júnior, instaurou procedimento de urgência e expediu ofícios requisitórios de informações e providências aos gestores responsáveis, incluindo o coordenador da CORE, Luidy Luciano Cardoso; o diretor do IPSEMG, Felippe Gonçalves Declie Fagioli; e a gerente de Regulação do Acesso Hospitalar de Belo Horizonte, Marcela Nunes Silvério Pimenta.
Como os ofícios não resultaram em respostas ou na imediata desobstrução da vaga, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela antecipada de urgência na 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte (Processo nº 1197522-98.2026.8.13.0024).
No final da noite da última quinta-feira (16), o Poder Judiciário deferiu a liminar determinando que o Estado de Minas Gerais e o Município de Belo Horizonte providenciem, em caráter urgentíssimo e no prazo máximo de 24 horas, o leito e o tratamento neurocirúrgico adequado para a paciente, sob pena de responsabilização. Contudo, até o fechamento desta reportagem, o prazo estipulado expirou sem o cumprimento efetivo da ordem por parte dos órgãos competentes.
Enquanto a burocracia estatal e o impasse entre os entes federativos e o instituto de previdência se estendem, familiares e amigos de Carmen cobram uma resposta imediata das autoridades para que a servidora tenha o direito constitucional à vida e à saúde assegurados antes que seja tarde demais.
ATUALIZAÇÃO
A servidora pública mineira Carmen Lúcia Souza Ferreira, de 54 anos, foi transferida na noite deste sábado para o Hospital do Barreiro (Célio de Castro), em Belo Horizonte, onde receberá o atendimento neurocirúrgico especializado necessário para tratar um aneurisma cerebral roto.
A transferência ocorre após uma intensa mobilização de familiares, amigos e moradores de Ribeirão das Neves nas redes sociais, aliada à atuação firme do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a uma liminar concedida pela Justiça.
Carmen, que é moradora de Ribeirão das Neves e servidora estadual, deu entrada inicialmente na UPA do município na última quarta-feira (14), sendo estabilizada e encaminhada em seguida para o Hospital Risoleta Tolentino Neves, na capital.
No entanto, por não possuir a estrutura e os equipamentos necessários para realizar o procedimento de alta complexidade (clipagem ou embolização do aneurisma), a unidade de saúde apontou a necessidade urgente de transferência para um hospital de referência.
Mesmo cadastrada na Central de Regulação do Estado (CORE Saúde) e possuindo convênio com o IPSEMG, Carmen permaneceu sedada no Risoleta Neves por dias sem previsão de vaga. Diante do risco iminente de sequelas irreversíveis ou óbito, o promotor Nélio Costa Dutra Júnior, do MPMG, ajuizou uma Ação Civil Pública. Na quinta-feira (16), a Justiça determinou o cumprimento da transferência em até 24 horas sob pena de responsabilização dos entes públicos.
Com a expiração do prazo judicial inicial sem a efetivação do leito, a comunidade nevense e os familiares de Carmen multiplicaram os apelos e denúncias na internet, pressionando as autoridades de saúde e o instituto de previdência.
A confirmação da vaga no Hospital Célio de Castro encerra a angustiante espera por um leito de alta complexidade, permitindo que a equipe médica dê início aos procedimentos neurocirúrgicos para estancar o sangramento cerebral e garantir a recuperação da servidora.

