Ribeirão das Neves, aparece como o município com maior crescimento proporcional dos gastos com dívida pública entre as dez maiores cidades de Minas Gerais.
Levantamento do site Multi Cidades – Finanças dos Municípios do Brasil, analisado por O Fator, mostra que seis desses municípios ampliaram o endividamento entre 2019 e 2024, com crescimento médio de 165%.
No caso nevense, a alta foi muito superior à média estadual.
Os gastos da prefeitura com juros e amortizações da dívida saltaram de R$ 7,8 milhões em 2019 para R$ 44,4 milhões em 2024, um aumento superior a 460%, já corrigido pela inflação.
Em termos absolutos, o avanço foi de aproximadamente R$ 36,6 milhões em cinco anos. O resultado coloca Ribeirão das Neves no topo do ranking de crescimento proporcional, à frente de cidades com orçamentos maiores, como Contagem e Uberlândia.
O dado chama atenção porque o pagamento da dívida é feito exclusivamente com recursos próprios do município, sem possibilidade de compensação por meio de transferências da União ou do governo estadual destinadas a programas específicos.
Na prática, isso significa menos espaço no orçamento para investimentos e para o custeio da máquina pública.
Especialistas apontam que o endividamento municipal pode ser um instrumento legítimo para viabilizar obras e projetos estruturantes, sobretudo em cidades que não dispõem de receitas suficientes para investimentos de maior porte.
Segundo a economista Tânia Villela, diretora da Aequus Consultoria Econômica e Sistemas, responsável pelo anuário Multi Cidades em parceria com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), os municípios muitas vezes recorrem a empréstimos para acelerar o desenvolvimento local diante da limitação de recursos imediatos.
Ainda assim, o peso da dívida impõe restrições. Além do serviço da dívida, os municípios já têm parcelas significativas da receita comprometidas com despesas obrigatórias. Pela Constituição, pelo menos 15% da arrecadação deve ser aplicada em saúde e 25% em educação, o que reduz a margem de manobra dos gestores para outras áreas.
No conjunto das dez maiores cidades mineiras, Ribeirão das Neves lidera um grupo que inclui Contagem, Uberlândia, Juiz de Fora, Uberaba e Belo Horizonte, todas com aumento das despesas relacionadas à dívida no período analisado. Em sentido oposto, municípios como Betim, Montes Claros, Divinópolis e Governador Valadares conseguiram reduzir esses gastos.
No caso de Ribeirão das Neves, o crescimento acelerado do endividamento evidencia um desafio fiscal relevante para os próximos anos: equilibrar o pagamento da dívida com a manutenção dos serviços públicos e a capacidade de realizar novos investimentos em uma cidade marcada por demandas sociais históricas e forte crescimento populacional.

