O ano de 2026 começou com um balde de água fria para os moradores de Ribeirão das Neves que dependem do transporte público para trabalhar ou estudar. Desde o dia 1º de janeiro, a passagem das linhas intermunicipais sofreu um novo reajuste, atingindo a marca de R$ 7,50. O valor consolida o município no topo do ranking das tarifas mais caras do Brasil, gerando indignação e pesando no bolso da classe trabalhadora.
Para um trabalhador que recebe um salário mínimo e precisa realizar o deslocamento diário (ida e volta), o custo mensal com transporte ultrapassa os R$ 330,00 (considerando 22 dias úteis). Isso representa cerca de 20% a 25% da renda bruta, sem contar os gastos extras com alimentação e moradia.
A equipe de reportagem buscou contato com a Prefeitura de Ribeirão das Neves para questionar se houve algum estudo de impacto social antes do reajuste, mas não obtivemos respostas.
Com o valor de R$ 7,50, Ribeirão das Neves supera capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, que possuem redes de transporte mais integradas e modais variados (metrô e trens). A precariedade das frotas e o tempo médio de viagem — que pode chegar a duas horas nos horários de pico — tornam o custo-benefício da tarifa um dos piores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Em Belo Horizonte, por exemplo, a passagem é R$ 5,25, em São Paulo, R$ 4,40 e no Rio de Janeiro, R$ 4,30.
As concessionárias de transporte alegam que o aumento é necessário para cobrir a alta do diesel, a inflação acumulada e os custos de manutenção da frota. No entanto, para os moradores de Neves, a justificativa não se traduz em melhoria na prestação do serviço.
Enquanto o poder público silencia e os preços sobem, a população de Ribeirão das Neves segue encurralada entre a necessidade de locomoção e a impossibilidade financeira de arcar com o direito básico de ir e vir.