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Parte I

Desde anos de 1970 com o seu auge nos anos 1990, depois da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Eco-92 no Rio de Janeiro, a preocupação com o meio ambiente se tornou mundial. Surgiram os movimentos ambientalistas, as pautas viraram agenda política e o tema chega ao debate popular. Com os recentes desastres ambientais acontecidos em Minas Gerais, esse assunto toma força nos espaços de debate. Assim, faço alguns apontamentos com relação aos impactos ambientais de nossa cidade.

Talvez o início de toda a questão seja a falta de reconhecimento das riquezas naturais pela própria população. Os problemas estruturais de falta de pertencimento e de um poder público eficiente contribuem para que o tema seja longínquo e sem importância para o cidadão nevense, impedindo a conscientização sobre a preservação dos recursos.

Assim, Ribeirão das Neves apresenta um quadro socioambiental precário, relacionado ao mau uso do solo, falta e desrespeito aliados às insuficientes leis ambientais municipais, ausência de redes de coleta e tratamento de esgotos, áreas que sofrem com enchentes, degradação da cobertura vegetal e de nascentes, acúmulo de lixo em cursos d’água, córregos e no espaço urbano, desmatamento, assoreamento, além do problema dos lixões da cidade, que não são atuais.

Com isso, é de grande necessidade a produção de estudos mais sistematizados sobre o meio ambiente em Ribeirão das Neves, de forma que o poder público possa ter boa base para iniciar a busca por soluções eficientes. São necessárias medidas como saneamento ambiental - que inclui a proteção, preservação e recuperação dos recursos naturais, melhorias nas condições de habitação e a valorização do ser humano como cidadão,  além do controle e prevenção dos processos erosivos, projetos de arborização em vias urbanas e praças, melhoramento da gestão dos recursos hídricos, regularização dos parcelamentos do solo  ilegais e clandestinos da cidade, e outras medidas de caráter político social, como educação ambiental nas escolas e bairros e ampliação de recursos técnicos e financeiros para viabilizar melhorias de qualidade de vida do meio ambiente na região. Ressalta-se ainda a importância de estudos prévios para os loteamentos, principalmente aqueles voltados para população de baixa renda, pois acontece grande descaso com o meio ambiente nesse tipo de empreendimento.

A omissão do poder público é muitas vezes responsável pelos graves problemas ambientais que afetam a qualidade de vida dos nevenses, por isso não se pode ignorar a grande importância do melhor planejamento de suas ações, que exigem esforços de todos os setores da administração municipal, de forma a estabelecer compromissos, visando o desenvolvimento sustentável das comunidades, com ações concretas a curto, médio e longo prazo.

Esse contexto demonstra a necessidade de políticas públicas e outras iniciativas que promovam a utilização e ocupação do solo de forma mais apropriada, sem tantos prejuízos ao meio ambiente, e que consequentemente leva a melhoria da qualidade de vida da população nevense. A construção do espaço urbano é um tema importante a ser estudado e discutido; já que o espaço que falamos é produzido por meio de nossas ações sociais, econômicas, políticas, socioambientais e culturais – ou seja, podemos transformar essa realidade.

 

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