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LULA

  • Aliados de Lula prometem articular com o governo federal para socorrer Minas da crise financeira


    Após a reeleição do presidente e a vitória de Cleitinho Azevedo em Minas, petistas e aliados se colocam como ponte entre o Palácio Tiradentes e o Planalto para renegociar dívida de R$ 180 bilhões e evitar colapso no pagamento de servidores em 2027.
    Com a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25), o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), terá o desafio político e administrativo de buscar diálogo com o Palácio do Planalto a partir de 2027. Diante de um cenário financeiro crítico no Estado, parlamentares e líderes aliados de Lula que atuaram na coordenação de sua campanha em Minas já se colocaram à disposição para intermediar as conversas entre o governo mineiro e a União.
    O desafio central envolve a dívida de Minas Gerais com a União, estimada em R$ 180 bilhões no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), além do déficit orçamentário projetado para 2027. Durante a campanha de segundo turno, Cleitinho havia declarado apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, confiando na promessa de revisão do débito e conversão de pagamentos em investimentos estaduais. Com o resultado das urnas, o cenário exige novos arranjos políticos.

    Pontes e diálogo republicano

    Integrantes do PT mineiro e do governo federal destacaram a disposição para construir um canal de comunicação institucional entre as esferas estadual e federal.
    A deputada federal eleita Gleide Andrade (PT), secretária nacional de Finanças do partido e uma das coordenadoras da campanha presidencial no Estado, lembrou do compromisso assumido por Lula em seu discurso de vitória para pacificar o país e governar de forma ampla.
    “Esse recado com certeza serve para Minas. O presidente Lula sabe que os problemas que Cleitinho tem nas mãos não foram causados por ele, apenas herdados, e por isso acredito que ele vai acolher, ajudar e estender a mão para o governador, independente de diferenças político-partidárias”, declarou a parlamentar. Gleide ressaltou ainda sua disposição para atuar em favor dos servidores mineiros e citou a cooperação prévia em Divinópolis para a viabilização do Hospital Regional como exemplo de postura dialógica.
    Na mesma linha, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pontuou que a atuação do governo federal no Estado sempre se pautou pelo caráter republicano. “Mostramos que as entregas e os programas não faziam distinção por partido ou apoio político. Vou continuar trabalhando nesta interlocução do governo federal com o governo mineiro para buscar soluções e caminhos para resolver esses problemas”, afirmou.
    O deputado federal reeleito Rogério Correia (PT), vice-líder do governo na Câmara, e a senadora eleita Marília Campos (PT) defenderam a revisão de pontos do Propag e a união da bancada mineira no Congresso para garantir a sustentabilidade das contas do Estado. Correia apontou que, apesar das divergências ideológicas, o foco deve ser o bem-estar da população.

    Cenário orçamentário e a pressão da dívida

    A urgência das negociações é amparada por dados fiscais expressivos. Minas Gerais aderiu ao Propag ao fim de 2025, durante a gestão de Romeu Zema (Novo). Desde então, o Estado já desembolsou R$ 1,03 bilhão à União em parcelas mensais — sendo R$ 104,5 milhões referentes à décima parcela paga em meados de outubro. O governo estadual também ofereceu R$ 35,8 bilhões em ativos para amortizar 20% do saldo devedor, aguardando parecer do governo federal sobre a aceitação dos bens.
    Paralelamente, a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 encaminhada pelo governador Mateus Simões (PSD) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) atualizou a previsão de déficit fiscal de R$ 8,87 bilhões para R$ 10,51 bilhões — valor significativamente superior aos R$ 5,22 bilhões previstos para 2026. Com despesas orçadas em R$ 155,50 bilhões e receitas de R$ 144,99 bilhões, analistas alertam para o risco de atrasos e comprometimento do pagamento da folha do funcionalismo público já no início de 2027 caso não haja repactuação com Brasília.
    Procurada para se manifestar sobre as articulações com a União e os desafios da transição, a assessoria do governador eleito Cleitinho Azevedo informou que a equipe não se pronunciaria na ocasião. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

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