O início das obras do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte ainda depende de uma decisão da Justiça Federal. O impasse foi discutido na quarta-feira (9), quando o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e prefeitos da Região Metropolitana se reuniram com o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), desembargador Ricardo Machado Rabelo. O grupo pediu agilidade na análise do processo que atualmente impede o avanço da obra.
Para Ribeirão das Neves, a discussão tem impacto direto. O município está no traçado do Rodoanel e será ponto de conexão entre as alças Norte e Oeste, na região da LMG-806. Conforme documentos do projeto, a Alça Norte termina justamente na ligação com a LMG-806, em Neves, enquanto a Alça Oeste parte do mesmo ponto em direção a Contagem e Betim.
O projeto atualmente licenciado prevê aproximadamente 70 quilômetros de rodovia, passando por oito municípios da Região Metropolitana: Sabará, Santa Luzia, Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Contagem e Betim.
A proposta é criar uma alternativa ao tráfego pesado que hoje utiliza o Anel Rodoviário de Belo Horizonte e outras vias da região. Segundo o governo estadual, a nova estrutura poderá contribuir para reduzir congestionamentos, diminuir o número de acidentes e melhorar a circulação de cargas e veículos na Grande BH.
A principal questão que trava o avanço das obras está relacionada à exigência de realização de consultas a comunidades quilombolas afetadas pelo empreendimento. Segundo a Itatiaia, o impasse envolve a necessidade de 150 consultas antes do prosseguimento do projeto.
O encontro no TRF-6 ocorreu em meio à cobrança de lideranças políticas para que a Justiça defina os próximos passos. De acordo com as informações divulgadas, estão envolvidos cerca de R$ 12 bilhões em investimentos relacionados ao projeto e à sua cadeia de impactos econômicos.
A passagem do Rodoanel por Ribeirão das Neves é discutida há anos e também já provocou debates sobre os impactos ambientais e sociais do empreendimento. Documentos ambientais apontam que o traçado interfere em áreas do município, incluindo a Área de Proteção Ambiental Municipal (APAM) Cachoeira da Lajinha.
A própria Prefeitura de Ribeirão das Neves já apresentou questionamentos e sugestões relacionadas ao traçado, principalmente em relação à proteção ambiental e aos recursos hídricos. Em documento encaminhado ao Estado, o município apontou áreas de proteção ambiental e zonas rurais que seriam atravessadas pelo projeto.
Além dos possíveis impactos locais, a implantação do Rodoanel é apresentada pelo governo como uma obra de integração viária da Região Metropolitana. O projeto prevê uma rodovia de alto padrão, com duas faixas por sentido, acostamento e controle de acesso.
Enquanto o processo permanece em análise, não há uma data definitiva para o início das obras. A expectativa agora é que uma decisão do TRF-6 permita a definição dos próximos passos do empreendimento.