Uma mistura de medo, tristeza e profunda indignação marca o desabafo da mãe de um adolescente de 13 anos. Ela recebeu com revolta a notícia da soltura de um monitor de dança, de 55 anos, que atuava no programa Escola Integrada de uma instituição municipal de Belo Horizonte. O suspeito havia sido preso em flagrante no município vizinho de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana, após ser denunciado por enviar mensagens de teor sexual e imagens íntimas ao estudante. A liberdade provisória foi concedida ao homem durante a audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (25/5).
“Ele sabe onde a gente mora. Estou indignada. Com tanta prova, preso em flagrante. É muito revoltante”, desabafou a mulher, que preferiu não se identificar para preservar o filho. O caso foi descoberto após ela notar uma aproximação suspeita do monitor, que inicialmente oferecia bombons e insistia para que o garoto frequentasse as aulas de dança. Diante do teor impróprio das mensagens subsequentes, a mãe passou a interagir com o investigado fingindo ser o adolescente para colher provas. Em um dos diálogos, o homem chegou a perguntar se alguém tinha acesso ao celular e enfatizou que o assunto deveria "ficar só entre eles".
De posse das evidências, a família acionou as autoridades. A prisão em flagrante do suspeito ocorreu na cidade de Ribeirão das Neves após uma mobilização policial. No entanto, o alvará de soltura expedido pela Justiça frustrou e amedrontou os familiares.
Segundo a mãe, o filho permanece psicologicamente abalado e ela evita revelar que o monitor responderá ao processo em liberdade. “O psicológico do meu filho não está bom. Imagina se ele sabe que esse cara está solto? Não posso falar para o meu filho, porque ele vai ficar com muito medo. Tem que esperar ele estupr o meu filho para a Justiça fazer algo?”, questionou.
Procurada para comentar as medidas administrativas correlatas, a Secretaria Municipal de Educação informou que está prestando assistência psicológica e acompanhamento tanto à vítima quanto à mãe, além de adotar os procedimentos internos cabíveis em relação ao profissional. A defesa do suspeito alega que os fatos narrados não condizem com a realidade e confia no devido processo legal para os esclarecimentos das autoridades competentes.