Com o alto índice de desemprego muitas pessoas veem o empreendedorismo como uma alternativa para driblar a crise e, assim, escapar do grupo dos desocupados que engrossam as estatísticas. Quanto maior a taxa de desemprego, maior a exigência das empresas, pois aumenta a possibilidade de escolha entre os candidatos. Assim, uma das alternativas para garantir uma fonte de renda é montando o próprio negócio.

Sonho e capacidade de transformar ideias ações, visão de futuro, boa rede de relacionamento, curiosidade, busca constante de informações, capacidade de assumir riscos calculados, iniciativa e persistência são características que fazem parte da vida do empreendedor de sucesso. Mas é importante saber que essas características estão relacionadas a comportamentos que podem ser desenvolvidos por meio de estudos, convivência e treinamento.

Ao contrário do que muitos pensam, as características empreendedoras não são inatas. É o que esclarecem os especialistas. Tais características podem ser desenvolvidas com o tempo por meio das relações interpessoais, de muito estudo e capacitação ou até mesmo em decorrência das circunstâncias vividas pelo indivíduo, as quais o leva a aprender com os erros e acertos.

Além das características citadas, são vários os fatores situacionais que contribuem para que o indivíduo se torne um empreendedor, dentre eles aqui destaca-se: o ambiente familiar ou social, a busca por mais autonomia e a necessidade de obtenção de renda.

Quanto ao ambiente familiar ou social, aquela pessoa que se relaciona desde a infância com empreendedores, normalmente estão mais propensas a se tornarem empreendedoras, pois ali se aprende as estratégias do negócio. Entretanto, isso não garante que terão mais sucesso do que aqueles que não tiveram essa convivência.

Quando o empreendedorismo acontece pela busca por mais autonomia no trabalho é comum que a pessoa faça esta opção por não querer mais se submeter às ordens de chefes, principalmente daqueles que não têm habilidades de relacionamento com a equipe. Assim, o empreendedor cria sua própria empresa na intenção de ficar livre de chefias. Mas é preciso ter cuidado porque se relacionar com clientes, com fornecedores, com os stakeholders em geral pode ser tão complexo quanto relacionar-se com a chefia. Assim, em seu novo empreendimento são necessárias tanto habilidades de relacionamento interpessoal quanto habilidades gerenciais para garantir a sustentabilidade do negócio.

A outra modalidade a qual merece destaque é "empreendedor por necessidade". Trata-se daquele que inicia seu empreendimento porque está encontrando dificuldade de ingresso ou recolocação no mercado de trabalho, ou quando a encontra, esta não lhe garante ganhos equivalente ao que o empreendimento pode lhe proporcionar.

Os empreendedores por necessidade devem ter muita cautela em relação à gestão do novo empreendimento. Portanto, é necessária a busca constante de capacitações para conduzirem seus empreendimentos. Pesquisas mostram que a maioria dos microempreendedores não elaboram seus planos de negócio e não buscam capacitações relacionada ao gerenciamento de sua empresa. Em consequência, é elevado o número de empreendimentos que não alcançam dois anos de existência.

Normalmente os empreendedores por necessidade são os que mais necessitam de apoio para garantir o sucesso de seus negócios. No entanto, são os que menos procuram as entidades de fomento ao empreendedorismo ou outras instituições como as faculdades que atuam no ramo do negócio. O fato de não procurarem estas instituições muitas vezes está relacionado ao grau de instrução do proprietário ou à própria estrutura do negócio.

Além disso, a maioria dos empreendedores por necessidade, especialmente os iniciantes, não se preocupam em participar de conferências, congressos, cursos e feiras para empreendedores ou outros eventos organizados no intuito de promover o desenvolvimento das micro e pequenas empresas. São inúmeros fatores que contribuem para esse afastamento. Dentre eles pode-se destacar a baixa credibilidade em seu próprio empreendimento. Pois eles acreditam que estes eventos são destinados somente a empreendedores bem-sucedidos. Ao contrário, esses eventos são organizados com vista a atenderem aos que mais precisam.

Vale ressaltar que estes espaços são importantes para novos contatos com empreendedores do ramo. Ali pode descobrir possíveis fornecedores e clientes, tornar seu produto ou serviço mais visível no mercado, além de voltar para casa com uma nova bagagem de conhecimento.

Portanto, para se transformar o sonho em realidade e minimizar a possibilidade de se ter um pesadelo no futuro é necessário que se faça um bom planejamento, o qual se consiste em traçar as estratégias de ações para se alcançar os objetivos desejados. Para traçar esses caminhos com maior segurança é preciso buscar informações seguras relativas ao tipo de negócio nas mais variadas fontes. Além disso, deve se buscar apoio em todas as instituições que possam dar suas contribuições.

De modo geral, o empreendedorismo deve ser incentivado em Ribeirão das Neves uma vez que a quantidade de médias e grandes empresas no município não é expressiva. Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) é grande a diferença entre o número de postos de trabalho existente no município e a População Economicamente Ativa (PEA), ou seja, a relação entre o número de pessoas que precisam trabalhar e as vagas disponíveis no município é deficitária.

O que tem contribuído para uma condição aceitável (apesar de muito baixa) de colocação no mercado de trabalho para os moradores de Ribeirão das Neves é a localização favorável do município que possibilita aos munícipes se deslocarem para outras cidades próximas como Belo Horizonte, Contagem, Betim, Pedro Leopoldo, dentre outras, para trabalharem nos mais variados tipos de serviços. Entretanto, esta não é a condição ideal, pois compromete a qualidade de vida das pessoas.

Dessa forma, toda iniciativa para a geração de postos de trabalho no município deve ser incentivada pelo poder público em todas as esferas e pela sociedade em geral, pois normalmente, quando um empreendimento é bem-sucedido, em pouco tempo apresenta potencialidade para criar novos postos de trabalho. Assim, aquele que forçava o poder público para a geração emprego, dentre outras demandas, passa a contribuir para a solução de problemas, principalmente o do desemprego, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do município.